Moradores de Viamão detalham momento do incêndio de subestação

Moradores de Viamão detalham momento do incêndio de subestação

Ainda sem luz, preocupação agora é com alimentos na geladeira em casas e comércios

Felipe Nabinger

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“Parecia o fim dos tempos”. A frase, da comerciante Darcila de Aguiar, 55, sintetiza a apreensão de moradores e comerciantes que presenciaram os clarões vindos da Subestação Viamão 1 na noite do último domingo. Moradora do Jardim Krahe, ela atendia aos clientes do minimercado da família, no mesmo bairro, junto com o esposo, Manoel Guimarães de Aguiar, na manhã desta segunda-feira. A falta de energia, oriunda do curto-circuito na subestação atingida por um raio, prejudicou a clientela do estabelecimento, na rua Américo Caetano de Souza. 

“Não pudemos assar o pão e não há nada gelado. Agora mesmo veio um cliente querendo pão e não tem”, disse Manoel. Sem poder usar a balança eletrônica, ele teve que “chutar” um valor a ser cobrado pelo cacho de bananas levado pelo cliente que era atendido durante a reportagem. “Fica por cinco reais”, disse. A caixa registradora e as maquininhas de cartões também estavam desligadas, prejudicando os comerciantes. “Tenho medo de perder frios e iogurtes. Se esquentar temos que jogar fora”, revelou Darcila. 

Agente financeiro da Escola Estadual de Ensino Médio Açorianos, Luis Fernando Morem de Souza foi até o estabelecimento de ensino durante a manhã. “Temos merenda em estoque e minha preocupação é que esses alimentos estraguem”, disse. Souza afirmou que aguardaria até a parte da tarde, mas que já faria contato de diretores de outras instituições de ensino, projetando o transporte da merenda para armazenamento em outro local.

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A noite virou dia

Morador do mesmo bairro, o eletricista Alessandro Kreutz, 48, disse nunca ter visto algo como as chamas causadas pelo curto-circuito, que foram visualizadas em outros municípios como Porto Alegre, Canoas e cidades do Litoral Norte. “Foi um clarão de arder as vistas. A noite virou dia. Foi algo surreal”, relata. Ele parou seu carro enquanto ia para o trabalho ao lado da subestação por curiosidade. Kreutz, que mora com a esposa, disse que tem evitado abrir a geladeira para conservar os alimentos e que o banho do dia foi frio.

O porteiro José Alexandre da Silva Correa, 52, diz que “todo mundo se assustou” ao presenciar a cena na noite de domingo. Ele relata que os moradores do condomínio de casas, no qual reside com a mulher e um filho, já havia ficado sem energia há alguns dias. “Tivemos recentemente problemas com transformador e levaram dois dias para arrumar”, lamenta.

O incêndio

A Subestação Viamão 1, próximo ao Cocão, pegou fogo na noite do domingo. As chamas teriam começado por volta das 20h30min, depois um curto-circuito causado pela queda de um raio. As chamas se alastraram por cerca de um quilômetro no mato, paralelo ao local, que foi isolado. Um cabo em chamas teria levado o fogo para a vegetação do outro lado da rua. Por volta das 22h30min, o fogo na subestação foi controlado e o que se via era muita fumaça decorrente do fogo no mato. Na manhã de hoje, ainda era possível ver focos dessa fumaça na vegetação.

Técnicos da CEEE Equatorial iniciaram os trabalhos ainda na noite do domingo para realizar os reparos. Essas atividades seguiam na manhã de hoje, quando a reportagem presenciou funcionários da empresa isolando a entrada da subestação para evitar a presença de curiosos. O fornecimento de energia suprido por essa unidade estava sendo recomposto por manobras na rede elétrica, conforme a empresa. No entanto, até o final da manhã de ontem ainda havia unidades sem luz. O número de cliente atingidos não foi divulgado pela empresa.

Trabalho de técnicos da CEEE nesta segunda-feira | Foto: Alina Souza 


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