Motoristas de aplicativos no RS protestam por melhores condições de trabalho

Motoristas de aplicativos no RS protestam por melhores condições de trabalho

Categoria organizou carreata por reajuste do valor do quilômetro rodado

Cláudio Isaías

Motoristas de aplicativos reivindicaram melhores condições de trabalho e reajuste do valor do quilômetro rodado

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Os motoristas de aplicativos (Uber, 99, Cabify e Indriver) realizaram nesta terça-feira uma paralisação das atividades em Porto Alegre. Os trabalhadores, que realizaram uma carreata por diversos pontos de Porto Alegre, reivindicam melhores condições de trabalho, como o reajuste do valor do quilômetro rodado, que se encontra defasado, agravado ainda mais por diversos aumentos nos preços dos combustíveis nos últimos meses.

Em 2015, o valor pago pelo quilômetro rodado aos motoristas era de R$ 1,25. Hoje, seis anos depois, os aplicativos pagam R$ 0,95 na Capital e R$ 0,90 na Região Metropolitana de Porto Alegre. No começo, havia um desconto de 25% das corridas. Agora o percentual de desconto varia entre 25% e 40%. Ou seja, os custos aumentaram, mas a remuneração dos condutores apresentou queda.

Os profissionais realizaram uma manifestação na frente da sede da Uber, na avenida Carlos Gomes, na zona Norte de Porto Alegre. “Faz cinco anos que as tarifas não aumentam. Hoje a gente recebe menos do que em 2015 e, em contrapartida, todos os preços aumentaram. Estamos recebendo duas vezes menos do que a gente ganhava”, afirma um dos motoristas de aplicativo, Fábio Lima.

O motorista Anderson da Silva disse que a paralisação aconteceu em função do Uber Promo e 99 Poupa porque o valor recebido é muito baixo. "Os motoristas estão trabalhando praticamente para pagar a gasolina". As tarifas estão muito baratas. É bom para a empresa e para o passageiro. O motorista está tendo prejuízo", acrescentou.

Já Jeferson Peixoto, da União Gaúcha dos Motoristas Autônomos (Ugama) disse que o protesto teve o objetivo de cobrar das empresas a implementação de melhores tarifas. "Precisamos de melhores condições de trabalho", ressaltou.

No Rio Grande do Sul, além de Porto Alegre foram realizadas mobilizações em Guaíba, Caxias do Sul, Santa Maria, Eldorado do Sul, Viamão, Alvorada, Cachoeirinha, Gravataí, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo e Campo Bom. Na Capital, motoristas se concentraram em diversos pontos da cidade, partindo em carreatas até a sede dos aplicativos.

A categoria também promoveu um buzinaço em frente ao prédio do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP/RS), na avenida Aureliano de Figueiredo Pinto, pedindo intervenção do órgão nessa mediação. A carreata de protesto dos motoristas de aplicativo afetou o trânsito em diferentes regiões de Porto Alegre. A manifestação resultou em lentidão nas avenidas Padre Cacique, Carlos Gomes, Tarso Dutra, entre outras vias próximas às sedes das empresas do segmento.

Os motoristas de aplicativo reivindicam um aumento do quilômetro rodado e o fim do Uber Promo e 99 Poupa. A profissional Carina Trindade, ligada a Associação Liga dos Motoristas de Aplicativos (Alma), disse que os profissionais querem um reajuste nos valores das corridas baseado nos custos que os condutores estão tendo como é o caso do preço dos combustíveis e o desgaste com o veículo - as manutenções periódicas que precisam ser realizadas no carro.

"Em tempos de pandemia, estamos pagando para levar o passageiro", lamentou.

Em relação ao protesto, a Cabify reconheceu o direito da livre manifestação pacífica de todo e qualquer brasileiro. A empresa busca que sua plataforma de mobilidade urbana seja benéfica para usuários e motoristas parceiros. A tecnologia da Cabify oferece ainda diversas vantagens para que os motoristas parceiros aumentem sua renda como identificação dos locais com maior volume de passageiros e chamadas próximas de sua localização. A nota diz que a Cabify tem uma relação transparente e de parceria com os condutores e promove sessões informativas, com diversas dicas, buscando ouvir e orientar os motoristas da plataforma.

O Correio do Povo entrou em contato com a Uber, 99 e Indriver para ter uma posição das empresas, mas, até o momento, não obteve resposta.

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