Movimento aumenta nas ruas de Porto Alegre, mas comércio tem lenta recuperação

Movimento aumenta nas ruas de Porto Alegre, mas comércio tem lenta recuperação

No trânsito, já há pontos de aglomeração de veículos, embora ainda não sejam registrados congestionamentos

Eduardo Amaral

Máscaras são quase uma totalidade entre pedestres

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O isolamento em Porto Alegre vem reduzindo gradativamente nas últimas semanas. As ruas do Centro da cidade têm, a cada dia, mais pessoas circulando, mesmo que boa parte do comércio siga fechado devido às limitações impostas para combater o novo coronavírus. No trânsito, já há pontos de aglomeração de veículos, embora ainda não sejam registrados congestionamentos. Na manhã desta terça-feira, o movimento foi intenso na cidade, com muito mais cidadãos do que nos primeiros dias e semana anteriores.

Nas ruas, o distanciamento social é muitas vezes desrespeitado em razão das filas, que se acumulam principalmente nos bancos e lojas que atendem clientes do lado de fora para quitarem suas dúvidas. Os restaurantes também apresentam uma rotina diferente, sem cosumo nos estabelecimentos – o atendimento é exclusivo para aqueles que levam a comida para casa.

Quem trabalha na região Central sente o crescimento na movimentação, mas, para alguns ele ainda não reflete em melhora nas vendas. "Estão circulando mais, sem dúvida, mas não estão comprando. Continua a mesma coisa de quando começou (o isolamento)", diz Jaci Espindula, 77 anos, dono de uma banca de jornal na Esquina Democrática. Há 20 anos no local, ele enfrenta uma situação inédita: nem mesmo a alta na circulação foi capaz de amenizar a queda nas vendas.

Na banca de Espindula, além de revistas e jornais, também são vendidos água, refrigerantes e outros produtos, todos com lenta saída. Ele demonstra preocupação com a necessidade de equilibrar a retomada da vida normal. "Tem que melhorar o comércio, só que vai correr mais riscos. Se abrir e o pessoal achar que não tem mais nada, vai voltar ao que era antes", diz ele referindo-se aos primeiros dias de isolamento quando praticamente todo comércio da cidade estava fechado, com exceção de farmácias e supermercados.

O comércio ambulante também está voltando com mais força e, agora, já é possível ver funcionários da Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic) realizando ações de fiscalização. Nas agências da Caixa Econômica Federal (CEF), as filas são cada vez maiores, já que iniciaram nesta semana os saques em dinheiro para quem não está no Cadastro Único. Filas também são vistas nas filas dos ônibus.

A principal mudança visível é no comportamento de quem circula pelas ruas a pé. Máscaras são presença quase total, o que inclusive alimenta um novo comércio de rua. Em frente as paradas de ônibus os ambulantes expõem os itens que são vendidos em média a R$10. Nas farmácias, a busca pelo item aumentou desde a semana passada, tornando essa uma tendência para os dias que a vida voltar ao normal na Capital.


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