Números da Covid-19 voltam a crescer e preocupar médicos em Porto Alegre

Números da Covid-19 voltam a crescer e preocupar médicos em Porto Alegre

Conforme especialista da Ufrgs, não é possível dizer que estamos em uma segunda onda pois, para ele, “ainda não vencemos a primeira”

Jessica Hübler

Médicos apontam queda na adoção de etiqueta respiratória

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A pandemia demonstra uma tendência de alta em Porto Alegre nos últimos dias. A análise é do doutor em Epidemiologia e professor de Epidemiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Paulo Petry, feita a partir da intepretaçõa de dados da rede hospitalar da cidade. A Capital já registra mais de 52 mil casos confirmados da Covid-19 e o número de óbitos já passa dos 1,4 mil. Petry ressalta que não é possível dizer que estamos em uma segunda onda pois, no entendimento dele, “ainda não vencemos a primeira”.

“Nós tivemos uma redução gradual, vínhamos observando indicadores em decréscimo. Eram quedas não muito expressivas, mas era uma tendência de queda. Depois houve uma estabilização e agora parece que está havendo um aumento”, destaca.

Conforme Petry, é possível verificar um aumento na incidência de novos casos em Porto Alegre, o que poderá refletir também em um crescimento no número de internações nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e também nas ocorrências de óbitos. “Já está preocupante, pois aumentou bastante e sem dúvida isso tem associação com as flexibilizações todas que a gente vem observando como liberação de cinemas, restaurantes e extensão dos horários dos shoppings, por exemplo”, reitera. De acordo com o médico, se alia a isso um certo cansaço da população em relação à duração pandemia. “As pessoas estão cansadas, isso tudo começou na metade de março”, enfatiza. 

O especialista também ressalta que houve, inclusive, uma reorganização de leitos de hospitais, diminuíram leitos de covid para que eles pudessem ser utilizados em outros setores. “Agora vamos precisar reorganizar novamente. Não existem novas medidas, devem ser as mesmas. Precisamos apelar para a população colaborar especialmente na questão das aglomerações e no uso de máscara”, pontua.

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“Relaxamento” cada vez maior

Segundo ele, é possível observar um “relaxamento” cada vez maior com relação às etiquetas respiratórias e ao uso frequente de máscaras, especialmente nas ruas e até mesmo em lugares fechados. “Existe uma correlação direta entre o aumento da circulação de pessoas e aglomerações com o aumento da circulação do vírus. Até acho que a Prefeitura e o governo do Estado talvez já estejam planejando medidas mais restritivas para impactar na mobilidade”, frisa.

Petry ainda declara que é preciso também focar na reorganização dos hospitais no sentido de voltar a prioridade dos atendimentos e a disposição de leitos para pacientes do novo coronavírus. “Não queremos que isso aconteça, é claro, mas se as pessoas não colaborarem será inevitável”, comenta. Além disso, Petry reforça que é preciso que as pessoas continuem se preservando, evitando deslocamentos desnecessários e redobrando as etiquetas respiratórias quando for preciso sair.

“A gente apela para que as pessoas colaborem, há certas saídas que ainda não precisam ser feitas, claro que outras são inevitáveis. As pessoas que trabalham, precisam se deslocar para o serviço e isso é inevitável, mas aquelas que puderem, devem evitar sair”, declara, pontuando que “não adianta ficar esperando pelos órgãos públicos”. “A comunidade deve ter uma postura cidadã, de consciência de cidadania mesmo. Se a gente circula, não é um decreto que vai mudar. A colaboração é importante, até para que não precisamos ter novas restrições, o que será pior”, assinala.

Alerta às autoridades

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) emitiu um alerta às autoridades políticas sobre a gravidade da situação sanitária do País “considerando o rápido crescimento do número de casos e de óbitos registrados em várias cidades de todas as cinco regiões do país nos últimos dias”.

“A epidemia de Covid-19 se alastrou por todo o território nacional e o quadro verificado hoje pode em pouco tempo levar a uma situação pior do que já vivemos até aqui: o epicentro pode ser o país inteiro. Tanto nos hospitais públicos quanto privados, as taxas de ocupação estão aumentando e chegando em alguns níveis acima de 90%, o que indica que o sistema de saúde pode entrar em colapso rapidamente e o crescimento de óbitos ser maior ainda em função de falta de assistência”, informou a presidente da Abrasco, Gulnar Azevedo e Silva.

Na nota a Abrasco apela “para que todos os governantes somem seus esforços em cada esfera de atuação para que esta crise possa ser contida e para que o país não vivencie momentos mais graves do que já assistimos”.
 


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