“No grito”, feirantes garantem bons negócios na Feira do Peixe de Porto Alegre

“No grito”, feirantes garantem bons negócios na Feira do Peixe de Porto Alegre

Movimento é intenso nesta quinta-feira

Felipe Nabinger

Comerciantes têm competição saudável durante a Feira do Peixe na Capital

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Na véspera da Sexta-feira Santa, o movimento é intenso na 242ª Feira do Peixe de Porto Alegre. Moradores da Capital e de outras cidades do Estado buscam os melhores pescados para garantir o almoço em família. Os feirantes, por sua vez, tentam ganhar os clientes no grito. Literalmente. Com cerca de 40 bancas, os vendedores gritam frases como “baixou o preço do filé” e “camarão mais barato” em uma saudável competição.

“Tem que chamar a atenção. A propaganda é a alma do negócio”, explica Alison Cosme Couto, 27, que trabalha desde os 14 anos na feira. “Amanhã ninguém fala mais de tanto gritar”, diz Ceres Araújo da Silva, 49, que há 20 anos atua especificamente no evento, ajudando uma família de amigos. E parece que a estratégia funciona.

Mas isso não basta. É fundamental o bom atendimento. “Gostei do atendimento. Isso é muito importante”, garante o motorista Luiz Paulo Pinheiro, 57. Criterioso, ele perguntou sobre os melhores tipos de pescado para cada receita, optando pelo lambari e pela tradicional tainha. “O lambari, faço frito na banha, já a tainha é assada na forma”, explicou. A operadora de caixa Graziela da Silva Pinheiro, 29, filha de Luiz, garantiu que a família aprova o tempero do pai. “Todo mundo gosta e come bastante. Está aprovado”. Ao todo, dez pessoas devem se reunir para saborear as receitas.

A cozinheira Silene Patrícia Forneck da Costa, 45, providenciará um menu que inclui bacalhau e filés de peixe. Ela achou os preços um pouco salgados e alertou ser necessário procurar bem. “Vamos estar em torno de dez pessoas. Minha mãe fica responsável pela salada de bacalhau”, disse apontando para a aposentada Reonilda Forneck, 67, “Vai todo mundo lá para casa e ajuda a fazer”, disse a mãe. Irmã de Silene, a psicóloga Franciele Forneck, 26, diz não entender tanto de peixe quanto a cozinheira. “Venho para ajudar a carregar a sacola e para pagar”, disse explicando que os custos são divididos. Mariana, 7, filha de Silene, acompanhava a família.

Volta dos pratos prontos

Além dos pescados frescos, a feira conta com bancas que servem opções como filé de peixe no palito, bolinhos de bacalhau e tainha assada na taquara. A feirante Cláudia Cinara Araújo, 48, mantém a tradição que começou do seu pai, já falecido, Vilson da Silva Araújo, na Ilha da Pintada. “Foi ele que inventou de fazer a tainha na taquara. Não tenho nem palavras para explicar a alegria que é voltar”, afirma, lembrando da pandemia que impediu a realização da feira de forma plena nos últimos dois anos. Ela diz que o movimento caiu um pouco, muito por conta das pessoas terem “desacostumado” com o evento. Silene diz que o maior volume de vendas acontece no último dia.

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Organizadores comemoram

“O pessoal estava com saudades. A última feira foi com poucas bancas e não supriu a necessidade da população. Conversando com feirantes, a venda está sendo boa”, frisa o presidente da Colônia de Pescadores Z5, Gilmar da Silva Coelho. Ele acredita que o volume de vendas deve chegar próximo da expectativa das 300 toneladas de pescado vendido, perto do que era vendido antes da pandemia. “Já é um bom número para quem está tanto tempo parado”, diz.

A tesoureira da Associação dos Pescadores e Piscicultores do Extremo Sul (Appesul), Roberta Superti, 38, reforça que não há um levantamento sobre a quantidade de vendas, o que deve acontecer. No entanto, ela acredita que pelo movimento, seguirá a média dos anos que precederam as restrições por conta da Covid-19. Ela acreditava que metade dos produtos expostos já haviam sido vendidos na manhã desta quinta. No entanto, o movimento maior era esperado para o horário compreendido entre 16h e 20h. A Colônia Z5 e a Appesul são responsáveis pela organização da feira, com apoio institucional da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo (SMDET).

Feiras seguem

O atendimento no Largo Glênio Peres, onde estão montadas as bancas, segue nesta sexta-feira das 8h às 20h. Neste mesmo horário, ainda acontecem a 20ª Feira do Peixe na Esplanada da Restinga, na avenida João Antônio Silveira, e a 10ª Feira do Peixe no Extremo Sul, na avenida Heitor Vieira, 494, no Belém Novo.


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