Ocupação de leitos de UTI volta a subir e atinge 81,05% em Porto Alegre

Ocupação de leitos de UTI volta a subir e atinge 81,05% em Porto Alegre

Na segunda-feira, a taxa média de internações em leitos de UTI era de 80,72% na capital gaúcha

Felipe Samuel

Casos confirmados (76) e suspeitos (30) do novo coronavírus somavam 106 até o final da tarde de hoje

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A taxa média de ocupação de leitos de UTI em Porto Alegre voltou a subir nesta terça-feira e atingiu 81,05% do sistema de saúde. Os hospitais Fêmina, Porto Alegre e Restinga atingiram 100% da ocupação, situação que vem se repetindo desde o início da semana. Na segunda-feira, a taxa média de internações em leitos de UTI era de 80,72%

Casos confirmados (76) e suspeitos (30) do novo coronavírus somavam 106 até o final da tarde de hoje. No dia anterior, eram 115 enfermos. Os hospitais de Clínicas e Nossa Senhora da Conceição apresentavam maior número de pacientes internados com Covid-19, com 33 e 17 casos respectivamente. 

Entre outros hospitais, o Cristo Redentor atingiu 96,55% de taxa de ocupação de leitos. Completam a lista com maior taxa de ocupação de leitos o Vila Nova (95%); Mãe de Deus (85,45%); Moinhos de Vento (82,14%) e São Lucas (81,36%). 

Critérios 

Nesta terça, em reunião com prefeitos da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal), o prefeito Nelson Marchezan Júnior explicou os critérios adotados para restringir o comércio na Capital. "O fator que nos leva a tomar as decisões, que são drásticas e tristes, é a ocupação dos nossos leitos de UTI. Se as nossas projeções se confirmarem, não descartamos tomar ações mais restritivas nos próximos dias", afirmou. 

O prefeito segue especialmente preocupado com o elevado número de enfermos oriundos de Alvorada, Viamão, Guaíba e Novo Hamburgo internados em unidades de tratamento intensivo da Capital. Em se tratando exclusivamente das UTIs, afora os moradores de Porto Alegre, enfermos das quatro cidades lideram o ranking. “É oportuno que os prefeitos de Alvorada, Viamão, Guaíba e Novo Hamburgo reavaliem suas decisões”. Ele sinalizou que tem conversado com membros do governo do Estado para tratar do tema junto às demais prefeituras da região.

O governador Eduardo Leite, por sua vez, ressaltou que a capital gaúcha vem apresentando sucessivos aumentos de internação de casos confirmados e suspeitos de coronavírus nas UTIs. "Se a rede hospitalar de Porto Alegre colapsar, o Estado colapsa. Marchezan tem razão em se preocupar com a situação", frisou. 

Leite reiterou o quadro da Capital se agravou a partir do início do mês. "Não há volta à normalidade. Se não houver cuidados maiores, todos sofrerão as consequências e mais restrições serão impostas e talvez no Estado inteiro", advertiu. Leite disse ainda que as prefeituras da região Metropolitana precisam estar atentas e, se necessário, serem mais restritivas que o Estado e cobrarem o cumprimento das regras do distanciamento controlado.

Hospital Nossa Senhora da Conceição

Referência no atendimento a pacientes diagnosticados com o novo coronavírus, o Hospital Nossa Senhora da Conceição chegou a atingir 95% de ocupação dos leitos de UTI para a Covid-19. O diretor técnico do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Francisco Zancan Paz, admite que o aumento de casos da doença nos últimos dias causa apreensão entre profissionais da saúde. "Estamos preocupados vendo crescimento da ocupação de leitos para pacientes com Covid-19 mais acelerado do que vinha sendo. No dia 5 a ocupação era de 32% dos leitos de Covid, mas no dia 15 chegava a 95%", alertou. 

Mesmo reconhecendo que a taxa de ocupação pode variar muito em curto espaço de tempo, Paz afirmou que a projeção para as duas próximas semanas é de elevação das internações por conta da doença. "Isso significa que a tendência nos próximos dias é aumentar, e que existe possibilidade de bater no nosso 'teto'. Não vamos ter condições de receber mais pacientes com a Covid-19", explicou. Uma alternativa para evitar a superlotação do hospital seria abrir novos leitos de UTI para enfermos do novo coronavírus. 

Novos leitos

Atualmente o HNSC dispõe de 29 unidades apenas para Covid-19. "Está difícil, não temos disponibilidade no mercado de médicos intensivistas, embora a área física esteja preparada", destaca, salientando que três médicos testaram positivo para a doença. Isso representa muito na escala e impede abertura de novos leitos", frisou. 

A ideia é abrir dez novos leitos para reforçar o atendimento a pacientes da Covid-19. "Em média, a permanência em leitos de UTI, está subindo, com pacientes que ficam 40 e 50 dias. Antes, em média, permaneciam 16 dias; agora ficam 17", comparou. 

Secretário extraordinário de Enfrentamento ao Coronavírus, Bruno Miragem reforça que o município está atuando em duas frentes para evitar a lotação de leitos de UTI. A primeira diz respeito à definição de medidas, como a restrição das atividades econômicas que desestimulem a circulação de pessoas e reduzam a velocidade de contágio do vírus na população. 

"A outra é a organização do sistema de saúde da cidade, otimizando a ocupação dos leitos existentes e executando um plano para sua ampliação, na medida da necessidade, seja com a abertura de novos leitos comuns em leitos de UTI", afirmou. 

Ações 

Além de garantir que será necessário reforço de equipamentos e equipe técnica capacitada, Miragem também explicou que a reunião com prefeitos da Região Metropolitana teve como objetivo mostrar a importância de ações conjuntas para impedir a disseminação da doença. 

"Há uma percepção clara que os esforços de enfrentamento da pandemia não serão eficazes sem a soma de esforços de todos os gestores municipais, afinal o vírus não conhece os limites entre os municípios", destacou. 

Em entrevista à Rádio Guaíba, o secretário da Saúde, Pablo Stürmer, não descartou novas restrições ao comércio ainda nesta semana em função do aumento da ocupação de leitos de UTI. "Monitoramos diariamente a velocidade das UTIs. Se antes desses dez dias ela se mantiver muito acelerada, a gente vai precisar adotar novas medidas", afirma.    


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