Geral

Ondas de calor oceânico podem levar espécies a fugir por milhares de quilômetros, diz estudo

Pesquisadores analisaram os dados vinculados a ondas de calor marinhas de 1982 até 2019 e a movimentação das espécies correspondentes

Picos de temperatura impõem pressão adicional aos oceanos, que já sofrem com um aquecimento progressivo devido às mudanças climáticas
Picos de temperatura impõem pressão adicional aos oceanos, que já sofrem com um aquecimento progressivo devido às mudanças climáticas Foto : Jaime Reina / AFP / CP

Peixes e outras espécies marinhas podem ser obrigados a fugir por milhares de quilômetros para escaparem das ondas de calor oceânicas, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira, que destaca os danos causados por estas elevações repentinas na temperatura da água.

Estas ondas caniculares são terríveis para os ecossistemas marinhos, pois causam o branqueamento dos corais, matam aves marinhas e obrigam algumas espécies, como peixes, baleias ou tartarugas a buscar águas mais frias, saindo de seu habitat natural. Estes picos de temperatura, que muitas vezes podem durar meses e até anos, impõem uma pressão adicional aos oceanos, que já sofrem com um aquecimento progressivo devido às mudanças climáticas.

Enquanto outras pesquisas têm se dedicado a estudar o impacto dessas ondas de calor no mar em sítios estáticos, como as barreiras de coral, o estudo publicado na quarta pela Nature, indaga até que distância as espécies marinhas devem viajar para encontrar uma temperatura marítima "normal" para elas.

"Isto é importante porque sabemos que numerosas espécies marinhas estão se deslocando muito rápido e em longas distâncias para encontrar um hábitat ideal", explicou à AFP Michael Jacox, pesquisador da Agência Meteorológica Estadunidense (NOAA). "Eles não ficam quietos em um lugar quando a água está aquecendo, mas até onde podem viajar para encontrar águas mais frias?", questiona.

Para tentar responder a essa pergunta, os pesquisadores analisaram os dados vinculados a ondas de calor marinhas de 1982 até 2019 e a movimentação das espécies correspondentes. Em algumas regiões, a água mais fria não está muito longe. Mas em zonas tropicais, onde as variações da temperatura do mar são mais sutis, as espécies podem se deslocar a mais de 2 mil quilômetros de distância para encontrar um hábitat adequado às suas necessidades, segundo o estudo.