ONG precisa de uma sede para seguir atendendo crianças carentes em Porto Alegre

ONG precisa de uma sede para seguir atendendo crianças carentes em Porto Alegre

Instituto Criança Mais Feliz já entregou quase 1 milhão de doações para comunidades da Capital e região

Christian Bueller

Em cinco anos, a ONG já ajudou mais de 20 mil crianças

publicidade

Criado em 2015 como uma iniciativa social independente para ajudar meninos e meninas carentes, o Criança Mais Feliz se tornou instituto em novembro do ano passado. Em cinco anos, a ONG já ajudou mais de 20 mil crianças e entregou quase 1 milhão de doações para comunidades de Porto Alegre e região. No entanto, sem um espaço próprio, o atendimento às famílias será interrompido a partir de 15 de junho se a entidade não encontrar uma sede que possa receber os donativos.

O Instituto Criança Mais Feliz RS foi concebido pela produtora audiovisual Nara Sonallio, uma paranaense de Toledo que mora na Capital há dez anos. “Quando teve aquelas enchentes em 2015, fui trabalhar como voluntária já no segundo dia, quando famílias das ilhas de Porto Alegre ficaram desabrigadas e precisaram dormir no Ginásio Tesourinha. Foi muito marcante para mim”, lembra, citando, de cabeça, até a data em que participou da ação que levou as famílias de volta para casa, em 2 de novembro daquele ano. Desde então, a apaixonada por cães e gatos, que saía em busca de rações adoções e castrações, percebeu a missão que estava por vir. “Eu pensava ‘o que vim fazer nesta grande cidade?’ Ajudar as crianças. E amo fazer de verdade”, conta.

Comunicativa, Nara consegue agregar amigos com facilidade. O Instituto, que ela chama de filho, conta, atualmente, com mais de 200 voluntários diretos e indiretos. O problema é que, desde o início, sempre contou com espaços emprestados para armazenar as doações que chegam. “Hoje em dia, recebemos em um imóvel de uma produtora, que vai ser vendido. Então, não poderemos repetir ações como fizemos no mês passado”, explica.

Na última semana de maio, em dois dias de plantão, foram arrecadados e entregues meia tonelada de alimentos, 500 litros de leite e mais de 200 cobertores. “Na Vila da Beira do Rio (zona norte de Porto Alegre), por exemplo, voltamos três vezes. É insalubre, uma questão de sobrevivência, onde as crianças passam frio e vivem de chinelo, nem gostam de usar tênis porque nunca tiveram. A cidade é um recheio de comunidades em situação delicada”, frisa.

Mesmo com a pandemia, os atendimentos não pararam, só não são divulgados com antecedência para não promover aglomerações. Desde de março de 2020, mais de 10 toneladas de alimentos foram arrecadadas e entregues. “Às vezes, levamos um turno para entregar quinze cestas. É porque prefiro conversar com cada mãe, saber os tamanhos que as crianças vestem. Não basta descarregar produtos em uma comunidade. Elas não são depósitos”, relata Nara. Cuidadosa e criteriosa, a produtora de 44 anos procura os líderes comunitários das regiões beneficiadas para entender o contexto de cada lugar. “Todas as crianças e famílias são registradas. Percebemos uma ausência paterna muito grande”, recorda.

Toda a ajuda financeira, seja de pessoas jurídicas ou físicas, poderá servir para a Declaração do Imposto de Renda de 2022. “É um trabalho muito transparente, mostramos nas nossas redes sociais. Tenho autorização das mães para filmar as ações. As pessoas estão vendo, isso reverbera e faz a rede crescer”, conta Nara.

Características da sede

Para poder continuar o trabalho, a Instituição necessita de um espaço que seja cedido por um tempo razoável ou locado por um preço que possibilite a ONG arcar. “Precisa ter no mínimo 150 metros quadrados para que seja possível acomodar não somente os donativos, mas para desenvolver programas específicos com os voluntários que fazem parte da rede, e atuam na área de educação, saúde entre outros”, diz Nara.

Ela pede que a sede fique numa região central de Porto Alegre, próximo dos bairros Azenha, Menino Deus, Praia de Belas, Santana ou Padre Cacique, por exemplo. “Bem no Centro ficaria difícil, pois teria que ter acesso a carros e ônibus. Assim, as pessoas teriam facilidade para abrir os porta-malas e receber as doações, que ocorreriam em formato drive thru. Não ficaria longe para as famílias buscarem já que, infelizmente, não tenho carro. Acredito que a sede não deve ficar em uma comunidade específica. É para todas”, esclarece a idealizadora.

O ano de 2021 foi o primeiro que a ONG, desde a sua criação, não lançou a campanha de inverno e justamente por falta de espaço para receber, fazer todo o processo de triagem e somente após, fazer as entregas para as famílias. “Quando comecei, sempre fazia do meu jeito. Mas o projeto cresceu e eu preferi recusar trabalhos para poder seguir com este propósito. Faço pelas crianças”, afirma Nara.

Emocionada, a criadora do Instituto não acredita que os pequenos são o futuro do país. “Eles nem sabem o que é futuro. No presente, as crianças não são o futuro. Já perdemos muitas crianças mortas no mundo do tráfico. Imagina, perder a vida com 11 anos!”, suspira.

Doações 

Para quem quiser ajudar, é possível enviar um Pix (39680115000100). Mais informações pelo telefone 51 99517-8730, e-mail: institutocriancamaisfelizrs@gmail.com ou pelo site da ONG Criança Mais Feliz RS

 


publicidade

publicidade

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895