Parcelamento de salários atinge 50% das empresas de ônibus de Porto Alegre, revela ATP

Parcelamento de salários atinge 50% das empresas de ônibus de Porto Alegre, revela ATP

Associação das empresas do transporte público reconhece que pode ocorrer paralisação dos rodoviários

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Guilherme Kepler / Rádio Guaíba

Segundo a ATP, aproximadamente 50% das empresas de ônibus parcelaram os salários dos empregados


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O agravamento da crise financeira em meio à pandemia de coronavírus faz com que 50% das empresas que operam o transporte público de Porto Alegre parcelem salários dos trabalhadores. Em entrevista à Rádio Guaíba na manhã desta sexta-feira, o engenheiro de Transportes da Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATP), Antônio Augusto Lovatto, reforçou que o setor enfrenta grande dificuldade com a queda de 70% dos passageiros e disse que mais empresas deverão aderir ao parcelamento de salários ainda neste mês.

“Aproximadamente 50% das empresas privadas de Porto Alegre estão parcelando os salários do início de maio. Os outros 50% vão conseguir pagar em dia. Mas no próximo dia 20, esse percentual irá se alterar. Eu prevejo que mais empresas vão parcelar e menos empresas vão pagar em dia”, afirma.

Conforme a ATP, mais da metade dos funcionários já se enquadrou na Medida Provisória 936/2020, do governo federal, que corta tanto a jornada de trabalho quanto os salários, levando a empresa a pagar parte do vencimento e a União o restante.

Lovatto admitiu também a possibilidade de paralisação por parte dos trabalhadores. Na quinta-feira, o Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre alertou que o funcionamento do transporte público pode parar, em meio à pandemia de coronavírus, caso as empresas de ônibus não honrem com o acordo firmado de pagar integralmente os salários da categoria.

“Isso não depende mais da ATP. Precisam entender que cada uma das empresas tem uma realidade financeira. E, a partir disso, a negociação é entre empresas e funcionários. Em cima disso, existe a possibilidade e basta a pessoa não receber seus proventos que ela tem todo o direito interromper o seu trabalho”, ressalta.

O engenheiro de Transportes da ATP defendeu também a aplicação de um aporte no setor por parte do executivo municipal. Segundo ele, o prejuízo das empresas gira em torno de R$ 46 milhões. “A gente colocou para a prefeitura, desde o início da pandemia, o tamanho do prejuízo que chega próximo a R$ 46 milhões. A prefeitura está analisando e a gente entende, mas Curitiba teve um aporte de R$ 70 milhões. É eminente e urgente que o transporte coletivo seja socorrido”, diz.


No setor privado, o transporte coletivo emprega mais de 5 mil trabalhadores na Capital. Em média, um motorista de ônibus ganha R$ 2,6 mil, e um cobrador, R$ 1,6 mil. O parcelamento atingiu toda a categoria, incluindo mecânicos, lavadores e pessoal administrativo. Até o momento, as empresas em conjunto com a prefeitura reduziram a oferta de algumas linhas como medida para equilibrar as finanças. Nos últimos dias, a redução de viagens chegou, em média, a 60%.