Penitenciária de Canoas recebe sala de ensino profissional
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Penitenciária de Canoas recebe sala de ensino profissional

Apenados terão aula de serviços de supermercado e a carteira assinada por uma empresa na condição de aprendiz

Por
Gabriel Guedes

Diversas instituições se uniram para implementar o projeto, que contribuirá para a reinserção social dos detentos

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Na Penitenciária Estadual de Canoas III (Pecan III), uma sala foi inaugurada ontem e agora será lugar de ensino de uma profissão aos detentos da unidade. Por meio do Projeto Aprendizagem Profissional Comercial em Presídios, uma parceria entre a Superintendência Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul e o Senac-RS, os apenados terão aula de serviços de supermercado e a carteira assinada por uma empresa na condição de aprendiz. “Nós não queremos só enxugar gelo. O sistema penal existe para que pessoas que incorreram em delito tenham oportunidade de reciclar sua vida, fazer uma nova trajetória e voltar ao nosso convívio”, defende o secretário da Administração Penitenciária (Seapen), Cesar Faccioli. O sistema penitenciário brasileiro tem uma taxa de reincidência criminal que chega aos 70%, causada principalmente pela falta de oportunidades de ressocialização que acabam levando o ex-condenado ao crime.

O programa que está sendo implementado na Pecan reunirá teoria e prática, desenvolvendo habilidades técnicas e comportamentais. O treinamento, com 16 detentos, inicia-se no próximo dia 23, com aulas de segunda a sexta-feira, das 13h30min às 17h30min. “Não é em qualquer penitenciária que a gente tem oportunidade assim como esta. Temos que aproveitar. Quero recomeçar minha vida lá fora”, planeja um dos alunos, o detento L.R, de 19 anos, da Capital. Mas, neste momento, a prática profissional supervisionada será realizada em ambiente de simulação. Justamente porque ainda se trata de um projeto-piloto. “Queremos que este seja o primeiro de uma parceria que vai se expandir para todo o Estado. Contamos com parcerias relevantes do Senac, Igreja Universal, Ministério do Trabalho, Susepe, Grupo Zaffari, Ministério Público, Judiciário e outros parceiros”, destaca o secretário. De acordo com o superintendente regional do Trabalho, Getúlio de Figueiredo Silva Júnior, os jovens que integram o programa são réus primários e podem ter no máximo 24 anos de idade. “A aprendizagem assegura meio salário mínimo, 13º, férias, entre outros direitos, e a redução da pena por dia efetuado de curso”, completa Júnior.

“Eles vão fazer este programa todo aqui dentro. São mais de mil horas de treinamento. Isso possibilita que este jovem saia daqui habilitado para ter sucesso na sociedade e no mundo do trabalho”, explica o diretor regional do Senac-RS, José Paulo da Rosa. “A aprendizagem acontece no contraturno do curso de Educação de Jovens e Adultos, de maneira que o preso fique ocupado 8 horas por dia com estas duas atividades, terminando com a questão da ociosidade e impossibilitando que eles fiquem muitas vezes maquinando outras questões. Podemos formar uma escola do crime ou uma escola profissionalizante por meio da aprendizagem”, esclarece o superintendente do Trabalho.