Pesquisador da UFRGS vê reversão de tendência na curva de óbitos pela Covid-19 no RS

Pesquisador da UFRGS vê reversão de tendência na curva de óbitos pela Covid-19 no RS

Segundo Álvaro Krüger Ramos, número que vinha caindo, estabilizou e registrou leve aumento nas últimas semanas

Vítor Figueiró

RS superou os 800 casos de Covid-19 em tratamento nos hospitais

publicidade

Além de motivar novas restrições pelo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que classificou o momento atual como uma "segunda onda da Covid-19" no Estado, o crescimento das infecções fez com que a curva de óbitos da doença revertesse sua tendência, apresentando um "pequeno" aumento, avalia o doutor em matemática Álvaro Krüger Ramos, professor do Departamento de Matemática Pura e Aplicada da Universidade Federal do RS (UFRGS).

"A grande preocupação que temos em relação aos casos é: Qual será nosso novo auge? O RS superou nos últimos 14 dias o auge de contágios semanais, que teve seu antigo ápice no dia 22 de agosto com 2.272 infectados em um dia. Nos boletins mais atuais, o número ultrapassou os 2,6 mil casos", comparou. "Observando os óbitos, é possível perceber uma mudança na tendência, que antes era de queda. Voltamos para a estabilidade e agora verificamos um pequeno aumento, ainda não na mesma proporção que os casos, o que é o natural. Primeiro sobem casos, depois a ocupação nas UTIs e aí o crescimento nas fatalidades", explicou. 

Conforme dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES), as mortes pelo coronavírus voltaram a crescer desde a semana epidemiológica 46, quando 214 pacientes vieram a óbito em sete dias. Desde então, nas semanas 47 e 48, o número seguiu avançando, com 245 e 267 vítimas fatais respectivamente. O dado segue abaixo do auge do Estado, contabilizado na semana 31, em agosto, quando 412 casos faleceram no período, mas representa uma mudança no rumo da curva. Como estamos na semana 49, certamente ainda há dados acumulados que farão crescer os números das semanas imediatamente anteriores. 

Alerta para o Natal

O professor da UFRGS garante que no momento é díficil fazer projeções matemáticas e projetar cenários para o RS como havia feito anteriormente durante a pandemia. Segundo ele, isso se dá pela mutação do alfa, indicador utilizado por ele para verificar o comprometimento comportamental da população com as medidas de prevenção: isolamento, distanciamento, máscaras e álcool gel. "Se continuar com o comportamento das últimas três semanas, de um alfa alto, a gente terá no mínimo quatro e cinco semanas em crescimento forte, ou seja o período do Natal deve ser de aceleração nas infecções. Dentro deste contexto, passar o final de ano em família será uma aposta arriscada", indicou.

Ciente de que a população mudou sua postura e perdeu o "medo" da doença, o pesquisador entende que o Estado precisará alterar sua política de testagem.

"Atualmente, nossa taxa de positividade do RT-PCR, mais eficaz para barrar o avanço imediato, está em 37,7%. Ou seja de cada dez casos, quatro eram positivos. Significa que a gente está confirmando suspeitas e não tentando buscar casos assintomáticos. A OMS recomenda uma positividade entre 5 e 10%. De cada 10 e 20 pessoas testadas, se encontre um caso. Por exemplo, a positividade do Uruguai era 1%", detalhou. A melhor saída para os gestores públicos é a testagem em massa." 

Óbitos estáveis em Porto Alegre, mas casos ativos alarmantes

No caso específico da Capital, Krüger entende que as mortes mantêm o padrão observado nas últimas semanas e meses, como setembro e outubro. Em infectados, ao contrário do RS, Porto Alegre ainda não renovou seu pico, mas caminha para isso. 

"Estamos à beira de vencer a barreira de agosto de média de 270 casos por dia, com o auge em 494. Na semana passada, a gente teve uma média de 423 casos por dia, a expectativa é que essa semana fique nos 484 casos por dia. Ou seja, bastante próximo de superar", projetou. 

Para o matemático, o principal alerta na cidade está no crescimento dos casos ativos, aqueles que seguem com a doença em seu organismo. Em uma semana, o número saiu de 6.908 para 9.101, o que indica um maior número de pessoas circulando com o vírus. 

"Os casos ativos explodiram. Hoje estamos com 9 mil. o que mostra que a aceleração é forte. O problema disto é que muitos casos ativos significam que temos muitas novas contaminações, o que pode representar novas internações e um novo momento crítico para o sistema de saúde", disse.

Casos ativos em Porto Alegre no dia 1° de outubro - 3.869
Casos ativos em Porto Alegre no dia 1° de novembro - 3.314 
Casos ativos em Porto Alegre no dia 1° de dezembro - 9.521

 

 

Veja Também


publicidade

publicidade

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895