Polícia Federal promove mutirão para regularizar imigrantes

Polícia Federal promove mutirão para regularizar imigrantes

Expectativa é que cerca de 900 imigrantes se regularizem até dia 26 deste mês

Christian Santos da Silva

Expectativa é que cerca de 900 imigrantes se regularizem até dia 26 deste mês

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O calor, que em certos momentos, lembra a terra natal, e a espera, para quem aguarda por um pouco de cidadania há algum tempo, não foram obstáculos. Quase duzentos haitianos e venezuelanos estiveram na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), nesta segunda-feira, no primeiro dia de mutirão de atendimento para regularização de residência de imigrantes no Brasil. Servidores e funcionários da Polícia Federal atendem, até a próxima sexta-feira, dia 26, estrangeiros que tiveram a documentação cadastradas previamente por instituições e entidades de apoio.

A expectativa é que cerca de 900 imigrantes se regularizem até o fim do mutirão, ainda que uma instabilidade no sistema tenha atrasado alguns atendimentos, desde a manhã de hoje, quando apenas 40 pessoas foram atendidas. Dentre elas, a família de Marcelino Licett, que depois de “fazer de tudo” na Venezuela, conseguiu chegar ao Brasil há três anos e, com ajuda da Organização Internacional para as Migrações (OIM/ONU), desembarcou em Porto Alegre. “Fui eletricista, pedreiro, em mercadinho e até em atendimentos de confecção de passaportes e carteira de identidade”, conta. Hoje em dia, conserta aparelhos de ar-condicionado e mora em São Leopoldo.

A esposa, Yanetzi Franco, está atualmente desempregada, mas a realidade atual, segundo ela, é bem mais tranquila do que o contexto venezuelano. “Sou muito grata e esperando boas notícias”, sorri. A filha Anthonella, dez anos, está na quarta série e adaptada ao ensino brasileiro. “Gosto do frio”, elenca a pequena, quando perguntada sobre o que mais gosta no Rio Grande do Sul. A ideia da família era voltar para o país de origem, mas os planos mudaram. “Está muito difícil na Venezuela. Deixamos boa parte da família lá, mas só voltaremos para visitar”, conta Marcelino.

No mutirão, no saguão do Salão de Atos, é feito o atendimento para coleta de dados biométricos, fotografia e assinatura digital dos documentos pelos imigrantes. Para o superintendente regional da PF, Aldronei Rodrigues, o mutirão é a finalização dos processos de regularização. “É a nossa contribuição para esta crise humanitária violenta, depois de todo um trabalho anterior pelas instituições parceiras”.

O chefe da Delegacia de Imigração (Delemig/PF/RS), Eduardo Tavares ressaltou que não serão atendidos na Ufrgs os estrangeiros que ainda não tiveram documentação analisada antecipadamente pelas instituições de apoio e pela Polícia Federal.“Quem não puder se regularizar neste evento, ESPERAMOS que o mutirão se repita no ano que vem. E a sede na PF continua ocorrendo normalmente”, ressaltou o delegado.

Além da Ufrgs e OIM/ONU, o mutirão tem o apoio das prefeituras de Cachoeirinha, Canoas, Esteio e Santo Antônio da Patrulha, Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados (SJMR Brasil), Cruz Vermelha, Associação do Voluntariado e da Solidariedade (Avesol), Associação Beneficente São Carlos - Centro Ítalo Brasileiro de Assistência e Instrução às Migrações (Cibai Migrações), Centro de Atendimento ao Migrante de Caxias do Sul (CAM), Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA), e Aldeias Infantis SOS Brasil.


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