População relata sensação de insegurança na Estação Rodoviária de Porto Alegre

População relata sensação de insegurança na Estação Rodoviária de Porto Alegre

Aumento do número de pedintes e usuários de drogas na região provoca o sentimento de medo para quem frequenta o local

Taís Teixeira

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O retorno à Capital gaúcha de quem aproveitou o feriado prolongado de 12 de outubro começou nessa terça-feira. Neste período de procura por viagens, aumenta o volume de pessoas que transitam pela Estação Rodoviária de Porto Alegre, o que evidencia o alto número de  pedintes e de usuários de drogas na região. Essa situação gera sentimentos de insegurança e de medo, tanto para quem chega e se dirige aos guichês de compra de passagem quanto para quem aguarda um meio de transporte de volta para casa.

No local, é possível ver usuários de drogas sob efeito dos narcóticos circulando entre os transeuntes. As pessoas costumam ficar “escondidas” enquanto esperam quem busque e o manuseio no celular é feito com cautela para evitar furtos ou roubos.

É o caso da cuidadora de crianças Graziele Beck. Ela aguardava o motorista de aplicativo encostado no local de venda de passagem interestadual, segurando a mochila na parte da frente, procurando não chamar a atenção. “ É que já levaram meu celular e minha carteira na mochila aqui”, relembra. Graziele comenta que não se sente segura na rodoviária. “Sempre tem muita gente pedindo, a gente fica com medo”, relata. 

Sentada no local próximo ao balcão de informações, a auxiliar administrativa Edilce Fraga reitera que sempre há a abordagem de pessoas vulneráveis, mas que ela não chega a ficar com medo, quando são horários de mais movimento. “Eu não viria para cá bem cedo ou tarde da noite”, comenta.

Mexendo no celular atrás de um dos pilares do saguão central, a aposentada Maria Argem Lima do Amaral é frequentadora assídua da rodoviária, alternando as residências em Porto Alegre e Capão da Canoa, no litoral gaúcho. “Me sinto muito insegura”, confessa. 

Consequência da pandemia

O chefe de operações da rodoviária, Jorge Rosa, não nega a situação, diz que o terminal já foi bem mais tranquilo e atribuiu o cenário atual como uma das consequências da pandemia. “É notório. Não temos como esconder, mas são situações criadas pela pandemia”, entende. Rosa conta que houve um recolhimento, tanto da concessionária, quanto da segurança privada, o que favoreceu o aumento de pedintes. “Nós, por estarmos aqui diariamente, percebemos isso e estamos agindo”, reitera. 

O gestor disse que a crise desencadeou uma redução expressiva do efetivo de segurança privada da rodoviária, mas que esse fator já está sendo revisto. “A diretoria já tomou providências junto ao poder público, ou seja, a Brigada Militar e Polícia Civil”, reforça. Ele também diz que a BM tem feito um policiamento mais ostensivo.

O comandante do 9º Batalhão de Brigada Militar BM, Alex Severo, ressalta que a segurança patrimonial da rodoviária é uma incumbência da concessionária, mas explica que há um patrulhamento constante de motos na área de chegada e saída de ônibus, e que há um posto 24 horas próximo à passarela que dá acesso ao centro da cidade. “Se o policial militar não estiver ali, é porque teve que atender uma ocorrência da região”, ressalta. 

Jogos de azar 

Severo relata até casos de jogos de azar nas imediações da passarela da rodoviária. Há poucos dias, foram presos alguns integrantes que participavam do chamado “Golpe do Dedal”, um jogo de apostas em que a pessoa tem que descobrir em qual dos dedais presos entre os dedos da mão está uma bolinha. Se acertar, a vítima recebe a mais do valor apostado. “Como eles sabem tirar a bolinha do jogo,  as pessoas sempre  perdem, o que também causa brigas”, explica. 

Acerca dos pedintes, o comandante esclarece que não há nenhuma infração penal que proíba as pessoas de pedirem e que, por esse motivo, não podem ser presas. “Caso estejam portando drogas, são tipificadas como usuário ou traficante, conforme a quantidade encontrada, sendo conduzidas aos procedimentos legais”, reforça. Severo explica que, muitas vezes, o encaminhamento adequado é para os órgãos responsáveis pela assistência social.


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