Porto Alegre mantém tarifa de ônibus em R$ 4,80

Porto Alegre mantém tarifa de ônibus em R$ 4,80

Sebastião Melo também anunciou a ampliação de 20% das linhas do transporte coletivo

Felipe Samuel

Sebastião Melo também anunciou a ampliação de 20% das linhas do transporte coletivo

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Com dois meses e meio de atraso, a prefeitura de Porto Alegre confirmou que o valor da tarifa do transporte coletivo será mantido em R$ 4,80. Ao justificar a manutenção do preço da passagem, o prefeito Sebastião Melo apresentou, no salão nobre do Paço Municipal, o novo método de cálculo da tarifa, que agora vai levar em conta o quilômetro rodado dos ônibus. Mesmo com o fim da chamada tarifa técnica, Melo afirmou que vai aportar R$ 98 milhões no transporte público este ano. Do total, R$ 57 milhões serão destinados às empresas privadas e R$ 41 milhões à Carris.

Apesar da manutenção do preço da tarifa, Melo garantiu que a população vai contar com mais 19 linhas, com reforço de 109 ônibus nos itinerários da Capital e ampliação de 20% da oferta de viagens. "Estamos tirando dinheiro de onde não podemos tirar", frisou. Além de utilizar recursos do caixa da prefeitura para subsidiar a passagem, Melo afirmou que espera que a Carris - cujo edital para venda foi lançado na semana passada - tenha um comprador. "Ela é uma empresa mais cara porque tem mais funcionários do que deveria ter", afirmou, numa referência aos 370 funcionários que aderiram ao Programa de Demissão Voluntário (PDV).

Melo afirmou que o custo do quilômetro rodado das empresas privadas é 22% menor do que o da Carris. "Tanto é verdade que os cerca de 400 funcionários do PDV estão saindo e não vão fazer nenhuma falta para o funcionamento da Carris. Significa que durante todo esse tempo, 400 funcionários estavam recebendo e a empresa podia funcionar sem eles", criticou, lembrando que o custo maior da Carris elevava o preço da passagem. "Esta foi uma das razões que nós não tivemos dúvida de tirar a Carris do cálculo, porque o cidadão não pode pagar esse custo da ineficiência do poder público. Não é papel da prefeitura ter ônibus", completou.

Ele ressaltou que a prefeitura não pode aumentar a tarifa em meio ao processo de retomada da cidade. "A gente chegou a conclusão de que esse é o custo que a prefeitura vai ter que fazer uma retomada e até porque também se você aumentar a passagem nós vamos perder mais passageiros. Se você perde mais passageiros, você vai ter que botar recurso, porque você não pode deixar a cidade parar", sustentou. O prefeito reiterou que, se o projeto de lei que trata do custeio das isenções dos idosos for aprovado na Câmara Federal e sancionado pelo governo federal, os recursos para subsidiar o transporte público podem aumentar.

"A decisão está tomada até 31 de janeiro de 2023, a tarifa está mantida independentemente do aporte federal", destacou. Ao apresentar os cálculos da tarifa, o secretário de Mobilidade Urbana, Adão de Castro Júnior, explicou que o valor projetado para a tarifa este ano seria de R$ 6,65. "Este valor é impraticável", acrescentou.

 ATP elogia decisão da prefeitura

A decisão da prefeitura de manter a passagem nos valores atuais foi destacada pela Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATP). Para a presidente da entidade, Stamatula Vardaramatos, o subsídio da prefeitura é um avanço 'muito grande' para o transporte coletivo, apesar de representar aumento de custo para o Paço Municipal. "Porto Alegre iniciou isso timidamente no ano passado. E agora esse ano vai manter essa tarifa de R$ 4,80 com todos esses aumentos de insumos", observa.

Entre as melhorias para o cálculo da tarifa, Stamatula afirma que a cobrança a partir do quilômetro rodado dos ônibus favorece a transparência. "A gente vai receber só pelo custo, não entra a questão do passageiro nessa conta. E as isenções ele fez uma mudança grande também, que era uma atualização que faltava para Porto Alegre", ressalta. Ela acrescenta que o transporte público de passageiros urbano sofre uma grave crise nacional agravada pelos efeitos da pandemia da Covid-19. "E também pelos sucessivos aumentos do combustível", completa.

Stamatula garante que durante a pandemia os concessionários nunca deixaram de investir. "Com 14 itens, a gente foi pioneiro no transporte coletivo com esse protocolo contra a Covid-19. A gente cumpriu na íntegra, usando os produtos hospitalares, limpando os terminais, colocando álcool gel nos ônibus e também avançando bastante na tecnologia do TRI. O cartão tem várias facilidades que o prefeito colocou, com os novos lançamentos e o GPS, que é o Cittamobi, que funciona muito bem. É um excelente rastreador, em que as pessoas só precisam se deslocar para a parada na hora que chegar o ônibus", afirma.

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