Postos de Saúde suspendem entrega de medicamentos
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Postos de Saúde suspendem entrega de medicamentos

Decisão do Conselho Regional de Enfermagem do RS diz que enfermeiros estão inaptos a fazer a entrega

Por
Karina Reif

Postos de Saúde suspendem entrega de medicamentos


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Usuários do sistema de saúde de Porto Alegre tiveram dificuldade de retirar medicamentos nesta quarta-feira. Alguns que estavam acostumados a buscar nos postos de bairro encontraram um bilhete na porta. Esse foi o caso da Unidade Básica de Saúde Glória, na avenida Oscar Pereira, que colocou um aviso sobre a suspensão da entrega de medicamentos. Isso ocorre por conta de uma decisão normativa do Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul (Coren/RS) que orienta os profissionais da categoria a não fazer a entrega por serem inaptos.

“Temos que ficar correndo para lá e para cá”, disse o servente de obras Márcio Felício, 33 anos. A mulher dele utiliza medicação para pressão alta, diabetes e outros problemas de saúde. Ele reclamou que, mesmo antes da medida, era difícil de encontrar todos os remédios que ela necessita e, por isso, precisa recorrer ao Centro de Saúde Modelo. A agente de endemias Sandra Rodrigues, que está grávida de sete meses, estranhou que a unidade não estivesse fazendo a entrega. “Muitas pessoas faltam o trabalho para virem buscar”, ressaltou.

Em uma reunião com a entidade, o secretário de Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter, fez uma proposta para resolver a situação. O acordo era que os enfermeiros, técnicos e assistentes voltassem a fazer o serviço e a prefeitura iria intensificar a qualificação de forma permanente. Porém, o Coren informou que precisava realizar uma plenária para definir. A possibilidade de colocação de farmacêuticos volantes também foi proposta. Ritter solicitou ainda reunião com o setor de Direitos Humanos do Ministério Público para expor o problema.

Como as farmácias distritais possuem farmacêuticos, a demanda por essas unidades tem sido maior. Ritter informou que há 18 farmacêuticos na atenção básica e 22 estão sendo chamados do último concurso. Porém, para suprir a necessidade imposta pelo conselho seria preciso contratar outros 150 profissionais, o que traria um custo mensal de R$ 1,5 milhão.

Para o secretário, não há nenhum serviço irregular e não há diferença entre entregar um medicamento em um posto ou em um leito hospitalar. A secretaria informou que não havia unidades fechadas ontem. A falta de entrega de medicamentos ocorria pela adesão de parte da categoria à norma do conselho.