Prefeitura notifica Inter e estabelecimentos comerciais por uso de cabines de desinfecção
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Prefeitura notifica Inter e estabelecimentos comerciais por uso de cabines de desinfecção

Ações obedecem pedidos do Ministério Público e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária

Por
Felipe Samuel

Inter está entre os notificados por uso da cabine de desinfecção


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A prefeitura notificou três estabelecimentos comerciais e o Inter pela instalação de túnel de desinfecção humana. Desde a semana passada, equipes da Vigilância em Saúde apertaram o cerco a estabelecimentos comerciais e suspenderam o uso dos equipamentos em quatro locais: Shopping Total, Lindoia Shopping, Leroy Merlin e na sede do Inter. As ações das equipes obedecem a pedidos do Ministério Público estadual e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O gerente da unidade de Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde, Marcelo Páscoa, explica que apenas a empresa contratada pela direção do clube gaúcho enviou laudo dos produtos utilizados na estação de sanitização de roupas, calçados e acessórios instalada na entrada do centro de treinamento. Ele reforça que os produtos oferecidos nas cabines, embora aprovados pela Anvisa, podem ser aplicados apenas em superfícies e não em seres humanos. "As pessoas estão 'torrando' dinheiro em coisas desnecessárias, prejudicando as pessoas quando acham que estão beneficiando", alerta.

De acordo com Páscoa, a Anvisa cobra laudos comprobatórios da eficácia dos produtos químicos desinfetantes em uso e acerca da toxicidade destes agentes químicos em contato direto com a pele, mucosas e inalação por humanos. Ele afirma que é preciso comprovar a eficácia e a baixa toxicidade desses produtos. "As pessoas passam nas cabines e acham que estão imunes, esquecem de aplicar álcool gel e usar máscaras de proteção", observa. E destaca nota técnica da Anvisa que alerta que a prática de “borrifação de produtos sobre seres humanos tem potencial para causar lesões dérmicas, respiratórias, oculares e alérgicas”. 

Com objetivo de oferecer maior segurança ao público que frequenta o Lindoia Shopping, na Zona Norte, a administração instalou uma cabine de higienização na entrada principal, na avenida Assis Brasil. Uma semana após a instalação, a direção do shopping foi notificada pela vigilância sanitária, que determinou a retirada da cabine. O gerente-geral Fábio Irigoite explica que não existe impeditivo técnico para uso do equipamento, mas que o shopping acatou determinação de tirar a cabine.

Irigoite reforça que até sexta-feira a empresa que desenvolveu o produto vai encaminhar laudo técnico com informações sobre eficácia do uso do equipamento à Vigilância Sanitária. "A cabine trouxe sensação de segurança para o cliente, não chegou nenhum tipo de denúncia que essa desinfecção tivesse causado dano à pele de alguma pessoa", destaca. Ele observa que foi surpreendido com a ação do MP, e garante que o local adotou tanto protocolos do estado quanto do município no que diz respeito à higienização e liberação de 50% das vagas do estacionamento.

Outro estabelecimento comercial notificado pela Vigilância Sanitária, o Shopping Total informa que desativou a cabine de desinfecção até a conclusão do laudo pela empresa fornecedora do equipamento. Gerente de marketing do local, Silvia Rachewsky explica que foram adotados todos os protocolos recomendados pelas autoridades de saúde do governo e do município. "Disponibilizamos álcool em gel e medição de temperatura, além de fazer controle rigoroso do fluxo e adotar medidas de sanitização dentro do shopping", reforça.

Conforme Silvia, a instalação do túnel de desinfecção garante maior segurança aos usuários. "Tudo está rigorosamente controlado, com as mesas com 50% da capacidade para uso. Além disso colocamos sinalização no piso para distanciamento em áreas de retenção, como nas filas de caixas eletrônicos", destaca. Ela garante que assim que empresa concluir o laudo sobre a eficiência do equipamento, o documento será encaminhado para as autoridades.


O Inter informa que, por orientação da Anvisa, a Vigilância Sanitária está solicitando a paralisação das estações de sanitização para avaliar tecnicamente os produtos utilizados. Conforme o clube, a empresa responsável pelo equipamento já entrou em contato com Vigilância Sanitária de Porto Alegre para apresentar todos os laudos e licenciamento das suas estações e agora aguarda parecer da entidade.