Presidente da OAB defende política de isolamento "pautada por cientistas e OMS" como questão ética
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Presidente da OAB defende política de isolamento "pautada por cientistas e OMS" como questão ética

Felipe Santa Cruz considerou que o "presidente está abaixo do que o Brasil precisa neste momento"

Por
Correio do Povo

Santa Cruz afirmou que Bolsonaro deve retomar as rédeas e unir o país

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O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, reconheceu a legimitidade das preocupação do presidente Jair Bolsonaro com a conjuntura econômica durante e após a pandemia de Covid-19, mas afirmou que a entidade está preocupada com as declarações do chefe de Estado em pronuncimento na noite de terça, no qual criticou o confinamento social e governadores que propuseram. "O presidente não está agindo à altura da crise, o presidente está abaixo do que o Brasil precisa neste momento. Mas ele é eleito, que retome as rédeas e pacifique o país e aja como um agente institucional, não de um projeto de poder que ele, a cada dia mais parecer refletir a sua eleição", disse em entrevista à Rádio Guaíba.

Santa Cruz considerou que a situação econômica sempre "está no nosso mapa, nas nossas preocupações", porque não há como viver com dignidade sem trabalho, sem capacidade de sustentar sua própria familia. "Nesse primeiro momento, os cientistas, através da Organização Mundial da Saúde (OMS), entendem que os sistemas não têm como resistir a uma contaminação em larga escala. Eles pautaram uma política pública que é a defesa da vida em primeiro lugar e ela me parece fazer todo sentido", rebateu.

Na visão de Santa Cruz, participar de um confinamento é um exercício da cidadania. "Me caberia como cidadão, dentro da disciplina que deve existir de direito ao próximo, meu direito termina quando começa o primeiro direito do próximo. Como cidadão, acho a postura de caráter, ética, é a obediência a essas determinações, como vem fazendo com muita galhardia e equilíbrio o ministro da Saúde no Brasil", disse, em referência ao médico titular da pasta, Luiz Henrique Mandetta, que recomendou o isolamento. "O presidente quando vai a público com declarações contraditórias, ele deseduca, ajuda a retirar das pessoas a serenidade, porque todos estão angustiados, todos estão em casa, preocupados com seus pais. O presidente deseducada", argumentou.

O presidente da Ordem ainda considerou que a classe vive um "momento muito difícil", porque os advogados também estão submetidos às mesmas privações de todos aqueles que estão em isolamento, buscando obedecer as autoridades da área da saúde. "Advocacia é uma profissão que se organiza majoritariamente de autônomos. "Já atravessamos uma crise aguda, não tem como existir uma advocacia rica num país pobre porque 99% dos advogados são privados e a atividade econômica já vinha em estagnação. Estamos todos muito preocupados, defendendo em primeiro lugar a vida", ressaltou.