Primeira morte por Covid-19 em Porto Alegre completa um ano

Primeira morte por Covid-19 em Porto Alegre completa um ano

Vítima também foi a primeira registrada em decorrência da doença no Rio Grande do Sul

Jessica Hübler

Uma idosa de 91 anos, que estava em estado grave no Hospital Moinhos de Vento, foi a primeira vítima da Covid-19 no RS

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Há exatamente um ano foi registrada a primeira morte por Covid-19 em Porto Alegre, que também foi a primeira vítima fatal registrada no Rio Grande do Sul. Foi uma idosa de 91 anos, que foi internada em estado grave no Hospital Moinhos de Vento e acabou falecendo. Foi a 47ª morte no Brasil, sendo que as outras 46 haviam sido registradas em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Na época, o Estado contabilizava pouco mais de 100 casos da doença. De lá pra cá muita coisa mudou, não só no contexto nacional, como em todas as regiões do território gaúcho. Até a tarde de ontem, Porto Alegre já contabilizava 3.111 óbitos provocados pelo novo coronavírus, sendo que 30,44% do total foram registrados entre os dias 1º e 23 deste mês. 

Além disso, a Capital já confirmou pelo menos 125.491 casos de Covid-19. Tudo isso em um cenário de superlotação constante dos leitos nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Há pelo menos três semanas, Porto Alegre registra ocupação superior a 100% nas UTIs. Na tarde desta quarta-feira, 843 pacientes com Covid-19 e outros 52 suspeitos estavam internados. Além de outros 188 com diagnóstico positivo da doença que estavam nas emergências, aguardando por uma vaga.

"As pessoas vão morrer mais" 

De acordo com o chefe do Serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Eduardo Sprinz, um terço de todas as mortes deve ocorrer somente neste mês. “Independente das variantes, das mutações do vírus, quando o sistema de saúde entra em colapso, nós deixamos de garantir qualidade assistencial, então as pessoas vão morrer mais, mas vão morrer de qualquer coisa, não só de Covid-19, como de infarto e outras complicações”, frisou.

Conforme Sprinz, após um ano da primeira morte provocada pelo novo coronavírus em Porto Alegre, a situação chegou em um limite que os hospitais vinham tentando evitar. “O colapso é o que sempre tentamos evitar, duas vezes a gente conseguiu, mas nessa terceira onda juntou a mobilidade gigantesca de pessoas, com aglomerações de jovens e acabou, foi para o espaço, está muito difícil isso”, declarou.

Além disso, Sprinz ainda assinalou que faz um ano que é amplamente comentado que é preciso usar máscara, que é preciso usar álcool em gel, evitar aglomerações e ficar em casa, sempre que possível. “A gente continua fazendo o que fazemos desde o início, seguimos repetindo as mesmas coisas e isso é muito ruim”, desabafou.

E Sprinz ainda pontuou que, no contexto atual de surgimento de novas variantes, “tivemos a combinação perfeita” para o esgotamento do sistema de saúde. “Pessoas sem proteção, aglomeradas, se considerando imunes em meio ao verão, com elevadíssimas taxas de mobilidade, as pessoas se contaminavam e contaminavam os outros, sabemos que a imunidade não é permanente”, afirmou.

Vacina vai proteger a população 

Ele ainda reiterou que uma vacinação rápida e maciça, vai proteger a população, vai fazer com que o vírus circule menos na comunidade, mas se acontecer o contrário e tivermos alta taxa de circulação do vírus, com pessoas parcialmente protegidas, “isso só serve para fazer com que o vírus possa selecionar mutações que continuem favorecendo a infecção nas pessoas”. 

Sprinz ainda reforçou que o aumento constante de leitos “soa como uma derrota amarga”. “Cada vez que uma pessoa diz em aumentar o número de leitos, ela está dizendo também que não vai investir na prevenção e essa é a maior tristeza, pois a prevenção não é só a vacinação, é tudo e mais a vacinação, fazer com que as pessoas não se exponham, instruir como ela deve se proteger, como deve ser a atitude da população isso não é feito, nunca foi feito. Nos países que levaram a sério o enfrentamento à pandemia, o tombo econômico será muito menor, por exemplo”, disse.

Apesar da complicada, Sprinz ressaltou que os reflexos no sistema de saúde podem começar a ser observados nas próximas duas ou três semanas. “A sociedade gaúcha certamente deve ter dado uma resposta boa nesse momento caótico”, pontuou. 

Para os próximos 12 meses, Sprinz declarou que sua expectativa envolve a mudança nas atitudes da população e aumento da vacinação, principalmente a partir do segundo semestre, com uma cobertura vacinal rápida e eficiente. Dessa forma, será possível observar redução na velocidade do crescimento dos casos, da ocupação dos leitos de UTI com pacientes graves e, consequentemente, dos óbitos.

 


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