Procura por serviços de urgência e emergência segue em alta em Porto Alegre

Procura por serviços de urgência e emergência segue em alta em Porto Alegre

Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Moacyr Scliar registrava ocupação de 235,29% dos leitos

Felipe Samuel

Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Moacyr Scliar registrava ocupação de 235,29% dos leitos

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O aumento da procura por atendimento de pacientes com síndrome respiratórias e sintomas de dengue ou Covid-19 mantém pressionados os serviços de urgência e emergência na Capital. Nesta sexta-feira, as principais unidades de pronto-atendimento – da Bom Jesus, Cruzeiro do Sul, Lomba do Pinheiro e Moacyr Scliar – operavam acima da capacidade. A tendência de crescimento é observa desde a segunda quinzena de abril. 

Referência em casos de urgência, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Moacyr Scliar, localizada no bairro São Sebastião, na Zona Norte, operava com o dobro da capacidade máxima, com ocupação de 235,29% dos leitos, o equivalente a 40 internações. Médica técnica responsável pela unidade, Renata Alampi Moreira explica que em duas semanas houve aumento de ocupação tanto na área destinada a pacientes com problemas respiratórios quanto na área dos não respiratórios. 

"No centro de atendimento respiratório estávamos atendendo em média cem pacientes por dia. Agora passou para 150", compara. Conforme Renata, o maior número de atendimentos começou a ser observado em abril. Os diagnósticos para Covid-19 também apresentaram elevação. "Na última semana a gente começou a notar um aumento de casos positivos para Covid-19. Até o mês passado, tínhamos uma média de 7% a 8% de positivados para Covid dos testes que nós fazíamos. Aumentou para 15% e, nos últimos dias, chegou a 25% de casos positivos", observa. 

Pacientes com sintomas de dengue também buscaram mais atendimentos na UPA. "A gente está tendo bastante procura de pacientes com quadro de dengue, por isso está aumentando bastante o movimento. Acho que são esses dois fatores, a chegada do inverno, que aumenta as doenças respiratórias, e mais os quadros de dengue, que acabou juntando", frisa. Ela informa que a unidade opera nos últimos dez dias com superlotação. "A gente tem um número bem expressivo de atendimentos de pacientes da Região Metropolitana e isso acaba impactando o serviço", completa.

O Pronto Atendimento da Bom Jesus (PABJ), que conta com 7 leitos, registrava ontem 385,71% de lotação, ou seja, tinha 27 pacientes em observação. Os prontos atendimentos da Cruzeiro do Sul (275%) e da Lomba do Pinheiro (288,89%) também operavam com capacidade máxima. Coordenador municipal de Urgências da Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre, Daniel Lenz Faria Corrêa afirma que houve aumento de demanda pelos serviços desde o final de abril. Segundo Corrêa, pacientes que residem na Região Metropolitana acabam procurando atendimento na Capital.

"As unidades de pronto-atendimento da Bom Jesus e da Moacyr Scliar chegam a ter 30% de pacientes oriundos da Região Metropolitana, o que acaba tensionando bastante a nossa carga no sistema. A gente abriu agora nas últimas semanas novos leitos de pediatria, o que deu uma melhorada na situação. Agora vamos ampliar os leitos adultos na rede hospitalar para poder também distensionar um pouco os pronto-atendimentos", frisa.

Corrêa diz que a ideia é ampliar ou contratar novos leitos desafogar as unidades de emergência e urgência. Ele observa ainda que o aumento da procura por atendimento se acentuou após a pandemia. "As pessoas com sintomas de resfriado, coriza, dor de garganta, não procuravam atendimento, seguiam trabalhando, seguiam sua vida normal. E agora tem esse fenômeno pós-pandemia, em que qualquer pessoa que apresenta sintomas gripais procura uma unidade de saúde para testar", compara. "A gente está conseguindo ofertar bastante leitos, só que na verdade a gente oferta bastante leito e a procura segue alta", completa. 


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