Procuradoria recomenda que Fundação Palmares não seja utilizada para criação de "selo não-racista"

Procuradoria recomenda que Fundação Palmares não seja utilizada para criação de "selo não-racista"

Determinação pede ao presidente da instituição, Sérgio Camargo, que se abstenha de utilizar a estrutura ou o nome da instituição

Estadão Conteúdo

Presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo

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O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro, por meio da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), expediu, nesta terça-feira, recomendação notificando o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, a se abster de utilizar a estrutura ou o nome da Fundação para conceder qualquer tipo de selo, certidão ou declaração pública de que cidadãos são ou não são racistas.

A recomendação foi expedida em razão de inquérito civil aberto para apurar desvio de finalidade na anunciada criação de um "selo não-racista" para agraciar "quem é injusta e criminosamente tachado de racista pela esquerda vitimista, com o apoio da mídia, artistas e intelectuais". O anúncio constava de publicação divulgada por Camargo, e também de texto publicado no site oficial da instituição.

A notificação do MPF também notifica Camargo para que zele para que as páginas da Fundação na internet contenham exclusivamente a divulgação de atos ou notícias oficiais da instituição e/ou que guardem estrita relação com a preservação dos valores culturais, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira. A PRDC também recomendou que a presidência da Fundação atente para a correta aplicação dos princípios constitucionais da legalidade e da impessoalidade administrativas, bem como das regras referentes às competências e procedimentos estabelecidos na legislação.

Segundo manifestação apresentada ao Ministério Público Federal pelo presidente da Fundação, "não há procedimento administrativo para a motivação do ato (avaliação técnica sobre a viabilidade da proposta), tampouco manifestação da Procuradoria Jurídica a respeito da legalidade da matéria, tendo sido, inicialmente, lançada a ideia do selo pelo Twitter e diante das indagações foi somente explicada por nota no site da Fundação Palmares”. Ainda de acordo com a manifestação, “a criação do selo foi não tratada de forma institucional, não sofrendo crivo técnico ou jurídico, tão pouco [sic] foi apreciado e aprovado pela Diretoria Colegiada’.

Na recomendação, a PRDC registra que "a criação do selo em questão não se restringiu à manifestação individual do Presidente da instituição em sua conta na rede Twitter, mas constou também do site público da Fundação Cultural Palmares". E também que "a concessão de um selo ou certificado de que alguém "não é racista" é ato completamente estranho às finalidades legais da Fundação Cultural Palmares, instituição voltada, exclusivamente, à promoção da preservação dos valores culturais, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira, nos termos do disposto na Lei Federal nº 7.668, de 22 de agosto de 1988".

Também segundo a PRDC, a manifestação pública do presidente da Fundação Cultural Palmares, de que o selo serviria para condecorar quem foi "vítima de campanha de difamação e execração pública da esquerda" revela explícita e inconstitucional preferência política na concessão de título honorífico público, circunstância incompatível com o princípio constitucional da impessoalidade dos atos administrativos.

A PRDC no Rio de Janeiro também informou que encaminhou cópia da recomendação à Procuradoria da República no Distrito Federal, onde tramita um inquérito policial e uma investigação por ato de improbidade administrativa em face do presidente da Fundação Palmares.


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