Produção de lixo em Porto Alegre aumenta desde o início do isolamento social

Produção de lixo em Porto Alegre aumenta desde o início do isolamento social

Média mensal de resíduo seletivo recolhido é de 1,2 mil toneladas e, em março, chegou a 1,4 mil toneladas

Cláudio Isaías

Volume é comparável com à época do Natal, em que tradicionalmente aumenta a geração de lixo reciclável

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Em função da pandemia do novo coronavírus, a produção de lixo doméstico e reciclável aumentou em Porto Alegre nos meses de março e abril. Segundo a Cooperativa de Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre (Cootravipa), o isolamento social da população é o responsável pelo aumento na geração de resíduos pelos porto-alegrenses, durante a Covid-19.

A média mensal de resíduo seletivo recolhido em Porto Alegre é de 1,2 mil toneladas. No mês de março de 2020, a cooperativa contabilizou mais de 1,4 mil toneladas. Um volume comparável à época do Natal, em que tradicionalmente aumenta a geração de lixo reciclável.

O acréscimo é verificado tanto na quantidade de resíduos recicláveis quanto no volume de lixo nas ruas da capital. Segundo a presidente da Cootravipa, Imanjara Marques de Paula, ocorreu uma migração da área central da cidade para os bairros onde as pessoas ficam mais concentradas em razão do distanciamento social

"Com a permanência das pessoas em casa o lixo deixou, por exemplo, de ser gerado no Centro. Agora, está concentrado mais nos bairros", ressaltou. Nesta sexta-feira pela manhã, nas ruas da Cruzeiro do Sul, foi possível notar um aumento do lixo doméstico nas vias do bairro e o trabalho das equipes responsável pelo recolhimento dos produtos.

Ainda de acordo com Imanjara de Paula, o aumento na geração de resíduos deve-se a vários fatores: consumo de produtos e serviços domiciliares, refeições elaboradas e consumidas em casa. Além disso, existe ainda a frequência na limpeza e organização do ambiente doméstico, novos hábitos de higienização e compras pelo sistema delivery.

Nas ruas de Porto Alegre, a estimativa de quantidade média de resíduos recolhidos pelas equipes de varrição é de pouco mais de mil toneladas/mês. Sendo que no mês de abril de 2020 foram recolhidas mais de 1,4 mil toneladas de lixo.

"Além do lixo jogado nas ruas, nessa época de outono também aumenta a quantidade de folhas secas no chão, o que torna grande a importância da limpeza urbana para evitar o entupimento dos bueiros com os resíduos. Sem falar, é claro do papel do da limpeza urbana para evitar doenças”, ressaltou a presidente da Cootravipa.

A cooperativa, que atua nos serviços de varrição do meio fio, coleta seletiva e limpeza de praças, bairros e vegetação, conta com 2.500 funcionários ativos. O Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) realiza um levantamento sobre descarte de lixo em Porto Alegre em função do isolamento social por conta da Covid-19. O estudo deverá ser divulgado nos próximos dias.

Desde março, as coletas de resíduos estão mantidas por determinação do prefeito Nelson Marchezan Júnior. Os serviços essenciais prestados à população pelo DMLU, como coleta seletiva, para materiais recicláveis; e de coletas automatizada e domiciliar porta a porta, para orgânicos e rejeito; prosseguem com a adoção de medidas de proteção aos trabalhadores diante da pandemia do novo coronavírus.

Por executarem atividades de saúde pública, as equipes das coletas regulares permanecem nas ruas com a determinação de extremos cuidados de prevenção à Covid-19. Como os serviços são realizados por empresas contratadas, o departamento também trabalha no controle para que as mesmas ampliem as medidas de higienização e cautela. As ações de fiscalização para o recolhimento dos materiais foram intensificadas, exigindo o fornecimento e o uso dos Equipamentos de Segurança Individual (EPIs), além da criação de protocolos de prevenção aos garis, como a orientação para que ocorra o afastamento de dois metros de distância entre os trabalhadores.

Os resíduos orgânicos e o rejeito recolhidos são levados para a Estação de Transbordo, localizada na Lomba do Pinheiro, onde são descarregados em carretas e encaminhados ao aterro sanitário de Minas do Leão. Já os resíduos recicláveis direcionados à coleta seletiva são enviados para uma das 16 unidades de triagem existentes na cidade.


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