Protesto em Porto Alegre pede intervenção militar

Protesto em Porto Alegre pede intervenção militar

Manifestação teve confusão em pelo menos dois momentos, e equipe de reportagem chegou a ser expulsa do local

Correio do Povo

Manifestantes se reuniram em Porto Alegre e pediram intervenção militar

Cerca de 200 pessoas realizaram um protesto na tarde deste domingo em frente a sede do Comando Militar do Sul, localizado na rua dos Andradas, no Centro da Capital. O protesto pedia intervenção do Exército para o fechar o Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF). A manifestação teve confusão em pelo menos dois momentos, quando uma equipe de reportagem foi expulsa do local e quando uma mulher que estava enrolada em uma bandeira do Brasil e utilizava uma máscara com o dizer 'Fora Bolsonaro' subiu em no muro da Igreja das Dores e ficou nua.

Um dos grupos envolvidos na convocação são o Patriotas pelo Brasil, que se diz apartidário e apoiador de Bolsonaro. Márcia Winter, uma das representantes do grupo, disse que o pedido acontece porque as duas instituições “não permitem que o presidente governe.” Questionada se o fechamento do Congresso, que tem representantes eleitos, não representaria um golpe ela afirmou que “isso não importa, eles não respeitam o povo, estão permitindo que os comunistas entrem aqui e deixem o nosso povo sem emprego.”

Márcia também defendeu o fim das medidas de isolamento tomadas por governos municipais, estaduais e mesmo o Federal, para evitar a propagação do novo coronavírus. “Queremos a retomada de toda a economia, todos estão pedindo aqui.” Ela também voltou a afirmar o desejo de que o presidente amplie seus poderes por cima de outras instituições. “Golpe é o que eles estão fazendo, estão traindo o presidente, são  assassinos. Queremos que Exército brasileiro feche o Congresso.”

Agentes da Empresa Pública de Transportes (EPTC) e da Brigada Militar (BM) acompanhavam a manifestação, e um pequeno efetivo do BOPE chegou a ficar postado, mas sem o uso de escudos. Nenhuma intervenção para dispersar o público que se aglomerava em frente ao prédio foi tomada. De acordo com os agentes e brigadianos, a orientação era apenas monitorar o protesto. O comandante da Guarda Municipal, Marcelo do Nascimento, disse que manifestações políticas não precisam de autorização e que a região seria uma área militar, a princípio sem possibilidade de intervenção da Guarda.

Entre os manifestantes alguns utilizavam máscaras de proteção no rosto, mas o item não era uma constante entre o grupo. Bandeiras do Brasil, camisetas amarelas e da Seleção Brasileira eram constantes, bem como camisetas com o rosto de Bolsonaro.

No mesmo dia uma outra manifestação pedia a reabertura do comércio, com uma carreata que iniciou no Parcão. Uma parte dos manifestantes chegou a se juntar ao grupo, passando no local e buzinando em apoio ao grupo da rua dos Andradas. Porém, a maior parte dos carros seguiu por outras ruas de Porto Alegre para pedir a reabertura do comércio da cidade, pleito que já havia sido feito no sábado.


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