Quase 70% das mortes por Covid-19 no Rio Grande do Sul aconteceram em 2021

Quase 70% das mortes por Covid-19 no Rio Grande do Sul aconteceram em 2021

Virologista afirmou que situação deste ano no Estado é incomparável com a de 2020

Jessica Hübler

Em Porto Alegre, o percentual de vítimas fatais foi de 59,73% nos cinco meses deste ano

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Quase 70% dos óbitos por Covid-19 no Rio Grande do Sul aconteceram em 2021. Foram registradas 19.139 mortes em decorrência da doença, o que representa 67,31% do total de 28.354 vítimas fatais desde o início da pandemia no Estado. Em Porto Alegre, o percentual de vítimas fatais foi de 59,73% nos cinco meses deste ano em comparação com o total já registrado: foram 2.781 óbitos em 2021, do total de 4.785. O aumento no número de casos também impressiona.

Em todo o território gaúcho foram confirmados 580.701 casos em 2021, o que representa 53,49% do total contabilizado pela Secretaria Estadual da Saúde (SES-RS) desde os primeiros registros da pandemia no Estado. Em cinco meses, a Capital registrou 65.814 casos positivos do novo coronavírus, o que representa 44,78% do total de 146.961 diagnósticos da doença desde o início da pandemia.

De acordo com o virologista e professor da Feevale, Fernando Spilki, a situação deste ano "não tem comparação com a do ano passado". Segundo ele, diversos fatores influenciaram o aumento expressivo nos primeiros meses de 2021 e, portanto, justificam o percentual preocupante com relação aos números totais, tanto de casos quanto de óbitos a nível estadual, em se tratando de todo o Rio Grande do Sul e municipal, quando falamos especificamente de Porto Alegre.

"É uma soma, grande circulação de pessoas, variantes com transmissibilidade mais alta, vacinação lenta, enfim. Deste modo é que se forma a tempestade perfeita", define.

Crescimento acelerado 

Além do balanço total dos primeiros cinco meses de 2021, outro dado significativo foi o crescimento acelerado verificado em março. No Estado, dos 18.977 óbitos ocorridos em 2021, 8.263 foram registrados em março, ou seja 43,54%. Na Capital, 46,67% das vítimas fatais por Covid-19 de 2021 faleceram em março. Ainda conforme Spilki, março foi o pico da terceira onda da pandemia no território gaúcho. "Por conta do retorno das atividades e a disseminação da variante de Manaus (P1) no Estado", pontua.

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De acordo com Spilki, se levarmos em conta a experiência de 2020, a quarta onda da pandemia no território gaúcho vai se desenhar agora por conta da sazonalidade, ou seja, temperaturas mais baixas. "Mas com um agravante que é partir de um número de casos circulando muito mais alto, variantes de mais alta transmissibilidade e o nível de mobilidade das pessoas muito mais alto do que no ano passado, então não tem como não sermos pessimistas nesse momento, pelo menos até julho", destaca.

Aumento expressivo 

O secretário municipal da Saúde de Porto Alegre, Mauro Sparta, declara que, desde o início da gestão em janeiro de 2021, as equipes se depararam com um aumento expressivo da pandemia. "Nesse período abrimos 665 leitos clínicos e 239 leitos de UTI para conter a doença na sua face mais agressiva", afirma.

Segundo Sparta, também foram realizados testes em pessoas sintomáticas e assintomáticas. "Tivemos um número expressivo de óbitos, mas o balanço atual nos revela bons números, desde abril vem diminuindo bastante, talvez pela aplicação da vacina, pois somos a capital que mais vacinou, já aplicamos mais de 220 mil doses. Então com isso e com os protocolos sanitários houve uma queda de 10% nas ocupações de UTI em maio comparando com abril", frisa.

Sparta acredita que, com as medidas tomadas até o momento, principalmente com o avanço da vacinação, a Prefeitura deve ter sucesso. "A preocupação agora é o interior do Estado, pois tem aumentado o índice em algumas regiões, em Porto Alegre não temos agora esse aumento, mas sim algumas internações que vieram do interior e estamos auxiliando, mas não tivemos aumento das taxas de solicitação de internação por Covid-19 de moradores da Capital", enfatiza.

A esperança, conforme Sparta, é de que a Capital consiga suportar essa pressão no sistema hospitalar. "Vamos tomar todas as medidas necessárias para proteger Porto Alegre", finaliza.

Casos oriundos da variante P1

Conforme o diretor de Auditoria do Sistema Único de Saúde da Secretaria Estadual da Saúde (SES), Bruno Naundorf, dados apontam que a partir de março praticamente todos os casos novos da Covid-19 no Rio Grande do Sul foram da variante P1. "Então partimos desse pressuposto, é como se estivéssemos vivendo uma nova epidemia, por conta da agressividade da P1", explica.

Além disso, Naundorf declara que isso explica os dados expressivos do mês de março que, se comparado com os outros picos da doença registrados entre julho e agosto de 2020 ou dezembro de 2020, teve praticamente seis vezes mais pacientes internados em UTIs, por exemplo. "Apesar disso estamos observando desde abril e também uma relativa estabilização nos casos novos", aponta.

Como praticamente 30% da população gaúcha já recebeu a primeira dose da vacina contra a Covid-19, Naundorf  assinala que a expectativa da SES é que os indicadores comecem a apresentar quedas mais expressivas nos próximos meses, principalmente com o recebimento de novas remessas do imunizante.

"Esperamos ter redução de óbitos, de internações nas UTIs e também de sintomas, o que futuramente reduziria inclusive a ocupação em leitos clínicos, até que tenhamos imunização completa da população, o que desejamos que aconteça ainda no ano de 2021", ressalta.


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