Quase mil pessoas foram vítimas de trabalho escravo no Brasil em 2020

Quase mil pessoas foram vítimas de trabalho escravo no Brasil em 2020

Relatório foi apresentado pelo Ministério Público do Trabalho nesta terça-feira

Christian Bueller

Relatório foi apresentado pelo MPT nesta terça-feira

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Em pleno século 21, cerca de 25 milhões de pessoas, incluindo mulheres e crianças, são vítimas de trabalho escravo no mundo. Somente no Brasil, foram 942 vítimas em 2020, de acordo com o Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas, apresentado nesta terça-feira e desenvolvido pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Dados da OIT mostram que a prática gera cerca de 250 bilhões de dólares em lucros legais no mundo. Entre 1995 e 2020, 55.712 brasileiros foram encontradas em condições similares à de trabalho escravo pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel. Nos últimos 25 anos, os municípios com maior incidência de pessoas resgatadas encontram-se nos estados do Pará e do Maranhão. Já em 2020, ano do início da pandemia da Covid-19, as unidades federativas com maior número de resgates foram Minas Gerais (351), Distrito Federal (78), Pará (76), Goiás (75) e Bahia (70).

“A pandemia só tende a agravar esse cenário com o aumento do desemprego, desigualdade e da pobreza. Com isso a atualização do observatório é de grande valor. Uma ferramenta que ajuda a criar políticas públicas e promover o trabalho decente”, disse o diretor do Escritório da OIT no Brasil, Martin Hahn, durante a live de apresentação. Além de dados sobre os locais de resgates de trabalhadores e trabalhadoras, o Observatório fornece informações sobre as localidades de origem mais frequentes das vítimas, incluindo locais de nascimento e residência declarada, de forma a contribuir com o fortalecimento de ações de prevenção.

A procuradora do Trabalho, Coordenadora Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, Lys Sobral Cardoso, lembrou que a união de esforços é fundamental, indispensável para avanços em políticas públicas contra o trabalho escravo. “O dia 13 de maio está longe de ser uma data de comemoração, não é permitido fazer seres humanos de sua propriedade particular. A partir dos dados com relação a vítimas, é possível articular junto ao poder público para melhorar a vida daquelas pessoas. Para o MPT instalar uma nova unidade de secretaria de inspeção do trabalho, nos baseamos nos dados para ver qual região mais precisa”, exemplificou.

Em 2020, 17% das vítimas foram resgatadas em atividades de produção florestal (florestas plantadas e nativas), 15% no cultivo do café e 10% na criação de bovinos, com grande concentração na área rural. Entre as atividades industriais e de serviços, tipicamente urbanas, destacam-se no mesmo período os resgates em setores como o comércio varejista (10%), montagem industrial e de estruturas metálicas (7%) e empreendimentos de construção e imobiliários (5%).

O Observatório também traz dados sobre o risco de tráfico de crianças e adolescentes para fins de exploração sexual comercial. A partir de dados do Mapeamento dos Pontos Vulneráveis à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes (Mapear), a plataforma realizou um inédito detalhamento em nível municipal das áreas de risco de exploração sexual de crianças e adolescentes nas rodovias e estradas federais. As vias com a maior quantidade de pontos de alto risco são as BRs 116 (15%) e 153 (10%).

A iniciativa é um dos cinco observatórios digitais da iniciativa SmartLab de Trabalho Decente, um laboratório multidisciplinar de gestão do conhecimento com foco no combate do trabalho escravo no Brasil.


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