Quatro regiões do RS registram piora e recebem bandeira vermelha

Quatro regiões do RS registram piora e recebem bandeira vermelha

Caxias do Sul, Santo Ângelo, Santa Maria e Uruguaiana passaram de risco médio para risco alto de contágio de Covid-19

Por
Correio do Povo

Canela, na região de Caxias do Sul, é uma das afetadas


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Em meio ao aumento de contaminações, mortes e internações em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) pelo novo coronavírus no Rio Grande do Sul, o governo do Estado piorou a classificação de 5 das 20 regiões no sistema de Distanciamento Controlado contra a Covid-19. Com a mudança, Caxias do Sul, Santo Ângelo, Santa Maria e Uruguaiana passaram de bandeira laranja (risco médio) para vermelha (risco alto). Já Bagé passou de bandeira amarela (risco baixo) para laranja. Já a região de Santa Cruz do Sul obteve melhora nos indicadores, indo de bandeira laranja para amarela. O anúncio foi feito neste sábado no site do governo gaúcho.

A bandeira vermelha representa restrições mais severas. Por exempo, somente estabelecimentos que vendem itens essenciais podem estar abertos, mantendo 50% dos trabalhadores. Restaurantes e lancherias ficam proibidos de receber clientes no local, mas podem atender em sistema de tele-entrega, drive-thru e pegue e leve.

Nos shoppings, também fica permitido o acesso apenas a serviços essenciais, como farmácias, lavanderias e supermercados, que podem operar com apenas 25% dos funcionários. As aulas devem ser mantidas apenas de forma remota. Cursos livres, cujo funcionamento seria permitido, com respeito às medidas sanitárias, a partir do dia 15 de junho, devem permanecer fechados, assim como escolas de ensino infantil, fundamental e médio e universidades.

Academias, missas e serviços religiosos, clubes sociais e esportivos (mesmo que com atendimento individual), e serviços de higiene pessoal, como cabeleireiro e barbeiro, por exemplo, passam a ser totalmente vedados.

Na região de Caxias do Sul, os registros de hospitalizações confirmados para Covid-19 cresceram 173,9% entre as duas semanas, passando de 23 para 63 hospitalizações. Mesmo sem considerar a alteração na faixa de corte, a região teria obtido a bandeira preta nesse indicador. Segundo o governo estadual, esse elevado crescimento aponta para um alerta ainda maior na região, pois se trata da velocidade do avanço da pandemia, com efeitos que podem permanecer por mais semanas. 

Santa Maria e Uruguaiana

As regiões de Santa Maria e Uruguaiana tiveram um aumento expressivo no indicador de variação de internados por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em UTI durante a semana, passando de 14 para 25 e de quatro para oito, respectivamente. Em Uruguaiana, o indicador de hospitalizações confirmadas para Covid-19, registradas nos últimos sete dias, também apresentou bandeira preta, com um crescimento de oito hospitalizações entre as duas semanas – de seis para 14. As internações passaram de quatro para seis. Devido a esse crescimento e, também pelas alterações nos pontos de corte, o indicador ficou em bandeira preta, com um alerta importante para as duas regiões. 

Na macrorregião como um todo, apesar de o indicador de internados confirmados para Covid-19 em leitos clínicos não ter apresentado crescimento tão expressivo (de 26 para 30), os de internados pela doença (casos confirmados) em UTI elevou expressivamente (de 13 para 24). Os indicadores de estágio da evolução na região e de incidência de novos casos sobre a população também tiveram pioras nas suas bandeiras nas duas regiões – ambos com bandeira vermelha para Santa Maria e com bandeiras preta e vermelha, respectivamente, para Uruguaiana.

Santo Ângelo

A região de Santo Ângelo apresentou piora em todos os indicadores que mensuram a Propagação da Doença, segundo o governo estadual. Dos quatro indicadores de Velocidade do Avanço, dois obtiveram bandeira preta. Para os de Estágio da Evolução e de Incidência de Novos Casos sobre a População, todos apresentaram bandeira preta. A partir disso, a região obteve a bandeira final vermelha, atingindo risco alto na região. 

O número de pacientes confirmados para Covid-19 em leitos clínicos na sexta, na macrorregião, comparado à semana anterior, saltou de sete para 14 internados, um aumento de 100% entre as duas sextas-feiras. Com relação aos internados por SRAG em UTI, também para a macrorregião, o quantitativo passou de 12 para 17 internados. 

O indicador de novos registros de hospitalizações confirmadas para Covid-19 nos últimos sete dias, mensurada para a região de Santo Ângelo conforme o local de residência e comparada com a semana anterior, também alcançou bandeira preta. O crescimento expressivo de 275%, passando de quatro para 15 hospitalizações, provoca um alerta de risco no avanço da doença. 

Mudanças nos critérios

As alterações seguem ajustes no modelo anunciados pelo governador Eduardo Leite na última quinta-feira. Dos 11 indicadores levados em conta, o Palácio Piratini alterou quatro e apertou o ponto de corte em sete. As novas regras nos índices de óbitos por Covid-19, por exemplo, têm uma projeção das mortes nos últimos sete dias e na variação de pacientes internados em UTI, ao invés de usar o número de óbitos dos últimos sete dias.

Assim, para a região passar da bandeira amarela para a laranja, a taxa de avanço de hospitalizações por Covid-19, no período de duas semanas, terá que passar de 5% a 20%; para ir da laranja para a vermelha, o avanço deve ser de 20% a 50%; e, da vermelha para a preta, o avanço precisa ser de 50%. 


Os dados anunciados neste sábado valem pelo menos até o próximo dia 21 de junho.