Representantes da Educação divergem sobre retomada de aulas presenciais no RS

Representantes da Educação divergem sobre retomada de aulas presenciais no RS

Falta de estrutura nas escolas estaduais impede cumprimento de protocolos sugeridos pelo governo do Estado

Correio do Povo e Rádio Guaíba

Representantes da Educação divergem sobre retomada de aulas presenciais no RS

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O governo do Rio Grande do Sul sugeriu nessa terça-feira que a retomada das aulas presenciais a partir de 31 de agosto. A proposta inicial foi divulgada após uma reunião com a Famurs, em que foram debatidas o retorno escalonado de aulas, começando pelo Ensino Infantil. A proposta, porém, gerou divergência entre outros representantes do setor da Educação.

Radicalmente contra a proposta da administração de Eduardo Leite, a presidente do Cpers Sindicato, Helenir Schürer, destacou que é uma falta de responsabilidade expor mais pessoas ao novo coronavírus. "É um absurdo voltarmos agora, justamente quando a curva é crescente. É uma irresponsabilidade expor alunos, professores e funcionários. É nocivo isso, principalmente com a ideia de retornar primeiro com o Ensino Infantil", disse em entrevista à Rádio Guaíba. 

Outro ponto de preocupação que Helenir cita é a falta de estrutura do ensino público para cumprir os protocolos determinados pelo governo do Estado. "Temos escolas com um funcionário só e para manter o protocolo sugerido seria preciso muitos. Posso garantir que a escola estadual não tem estrutura para receber alunos com os cuidados necessários. A nossa postura é radicalmente contra a volta do ano letivo enquanto a curva estiver alta", afirmou. 

A retomada e a falta de estrutura também incomodam o diretor do Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul, Cassio Bessa. "A gente acompanha com preocupação esta certa pressa para a volta às aulas. A gente sabe que tem aglomeração de pessoas e não tem como dizer, por exemplo, que é possível deixar portas e janelas das salas abertas, ainda mais neste frio", considerou. 

Bessa também comentou a possível volta em primeiro lugar do Ensino Infantil. "É difícil controlar as crianças no que diz respeito ao uso de máscara, no contato, com beijo e abraços. Temos um posicionamento contrário de volta às aulas, até porque as classes online estão funcionando. Mesmo com os protocolos, nós não temos as garantias necessárias segurança para a comunidade escolar", argumentou. 

Pais 

Tanto Helenir quanto Bessa citam o temor de pais em enviar seus filhos para a sala de aula. "Uma pesquisa do governo mostrou que a ampla maioria dos pais disse que não era para voltar e que, se voltasse, não deveria começar por alunos do Ensino Infantil", comentou Helenir Schürer. 

Bessa ainda lembrou do exemplo do Distrito Federal, que liberou a retomada das aulas, mas registrou baixa presença de alunos. "Muitos estão temerosos com a retomada. Os pais estão com medo de colocar seus filhos neste ambiente. A volta do no Distrito Federal teve 10%, 15% dos alunos. E estamos falando de um local em que o inverno não é tão rigoroso", acrescentou.  

Rede privada preparada 

O presidente do Sindicato do Ensino Privado (Sinepe), Bruno Eizerik, afirmou à Rádio Guaíba nesta quarta que a tendência natural seria do retorno das aulas. "Seria o caminho natural que as coisas deveriam tomar. Já aguarávamos em junho, quando foi apresentado o protocolo, com todas as condições de distanciamento, circulação e higiene. É preciso saudar a existência de um calendário e creio que a rede privada está preparada para receber os alunos com toda segurança possível", assegurou. 

Eizerik citou o protocolo criado pela Secretaria Estadual de Saúde, que prevê menos alunos em sala de aula, em um sistema híbrido. "Não serão todos os alunos que irão voltar. Claro, tudo isso dependerá da capacidade do ambiente. Uma sala com capacidade para receber 30 estudantes irá receber 15 ou 20, mas isso depende de cada instituição. E tranquilizando os pais, os alunos com comorbidades, como asma, não irão retornar. Estão dispensados da retomada. Agora, garanto que estaremos preparados porque desde junho o protocolo já existe", argumentou. 

De acordo com Eizerik, o Sinepe defende uma maior autonomia das escolas no momento de definir quais estudantes irão participar da retomada do ano letivo nas escolas particulares. "Ninguém melhor do que a própria escola, que conhece a sua comunidade escolar e entende a necessidade dos estudantes. Se o governo estabelecer um calendário, ele será cumprido", ponderou. 

Conforme a sugestão do governo gaúcho, o primeiro nível a voltar seria o Ensino Infantil. O Ensino Superior retornaria em 14 de setembro, o Médio e Técnico, em 21 de setembro, os anos finais do Ensino Fundamental, em 28 de setembro e os anos iniciais, em 8 de outubro. O retorno às aulas presenciais ocorrerá, pela proposta do Estado, somente nas regiões que estiverem em bandeira amarela e laranja.

A reportagem da Rádio Guaíba buscou o contato com o secretário de Educação, Faisal Karam, mas a assessoria afirmou que o momento é de um debate inicial e que em outra oportunidade irá se manifestar. 


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