Rio Grande do Sul registra maior número de óbitos por Covid-19 em dois meses

Rio Grande do Sul registra maior número de óbitos por Covid-19 em dois meses

Desde o início da pandemia, o Estado já contabiliza 36.692 mortes

Felipe Samuel

As internações em leitos clínicos triplicaram em 14 dias

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A escalada da variante ômicron do novo coronavírus começa a refletir no aumento de óbitos no Rio Grande do Sul, que hoje registrou mais 50 mortes em decorrência de complicações da doença. É o maior número de vítimas fatais divulgado pela Secretaria Estadual da Saúde (SES) desde 17 de novembro do ano passado, quando a pasta informou 51 óbitos por conta da Covid-19. Desde o início da pandemia, o Estado já contabiliza 36.692 mortes.

O crescimento do número de óbitos em relação à semana anterior acompanha o aumento exponencial dos casos confirmados da doença este mês. Nesta terça-feira, com mais 19.635 diagnósticos registrados para Covid-19, o total de infectados em janeiro chega a 215.483 e se aproxima do recorde de casos registrados no Estado, em março do ano passado, quando 233.671 pessoas contraíram a Covid-19. A ocupação dos leitos clínicos e de terapia intensiva de pacientes Covid-19 também apresentou crescimento em relação há duas semanas.

As internações em leitos clínicos triplicaram em 14 dias, passando de 338 para 1.073, um aumento de 217,46%. Nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), 427 pacientes estavam internados com diagnóstico de Covid-19, um crescimento de 144% em comparação há duas semanas. É a maior marca desde 12 novembro, quando havia 430 pacientes em estado grave com doença. Chefe do Serviço de Infectologia da Santa Casa, Alessandro Pasqualotto afirma que a nova onda de Covid-19 no Estado 'não está no fim e vai seguir se espalhando'.

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O infectologista alerta que o vírus está se espalhando muito rápido. "A gente tem visto a frequência e contágio nas testagens de RT-PCR muito elevadas, em torno de 50% a 60% dos pacientes que testam positivo para Covid-19", observa. Pasqualotto avalia que 'estamos vivendo uma super onda'. "A pressão sob o sistema de saúde, perante a contaminação, é relativamente tímida, mas infelizmente vai acabar afetando as pessoas mais vulneráveis, mais idosas, que vão acabar, algumas delas, morrendo de Covid-19 nessa etapa da epidemia", destaca.

Ele atribui o aumento do contágio às festividades de fim de ano e ressalta que as pessoas estão se comportando como se a epidemia tivesse terminado. Por conta disso, o especialista reforça a importância de a população concluir o esquema vacinal - principalmente entre idosos e pessoas que têm alguma comorbidade. Mesmo assim, Pasqualotto acredita que o número de pessoas que vai se contaminar ainda é grande. "É vacinar em larga escala, é isso que a gente tem que fazer", reforça.

Mesmo com as recomendações de autoridades de saúde para evitar aglomerações, Pasqualatto afirma que insistir por distanciamento social vai ser muito difícil. "As pessoas já percebem que os prejuízos para as vidas delas é muito grande e o risco delas se complicarem, adoecerem, é muito pequeno", avalia. "O que não dá para dizer que a doença seja leve. É leve para a vasta maioria das pessoas que está se contaminando, mas para alguns subgrupos ela não vai ser leve", completa.

Sobre a necessidade de restringir as atividades econômicas ou fechamento de alguns setores, Pasqualotto afirma ser contrário a essas medidas. "É só a vacinação que está segurando isso, porque o comportamento humano é de abertura. Temos que nos apegar na vacina e levar uma vida cada vez mais normal, e não discutir lockdown (fechamento economia). É o contrário disso, é um contrassenso pensar uma coisa desse tipo", salienta. "Por que discutir lockdown com uma variante que na sua grande maioria causa só corrimento nasal, dor de garganta?", questiona.


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