Rodoviários reclamam parcelamento de salários e vale-alimentação em Porto Alegre

Rodoviários reclamam parcelamento de salários e vale-alimentação em Porto Alegre

Trabalhadores realizaram protesto na zona Sul na manhã desta segunda-feira

Por
Cláudio Isaías

Trabalhadores entregaram panfletos alertando para dificuldades


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Um grupo de rodoviários realizou um protesto nesta segunda-feira em frente à garagem da empresa Trevo, na zona Sul de Porto Alegre. A manifestação na avenida Coronel Massot foi pacífica e não impediu a saída dos ônibus. Os manifestantes, ligados ao Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre (Stetpoa), realizaram a distribuição de panfletos onde alertaram a categoria sobre o parcelamento dos salários e do vale-alimentação.

O presidente em exercício do sindicato, Sandro Abbade, informou que os trabalhadores estão reclamando do parcelamento dos 50% que as empresas teriam que pagar aos funcionários. "Elas estão parcelando o vale-alimentação e o salário desde abril. Essa situação é lamentável", ressaltou. Abbade não descartou a possibilidade dos trabalhadores rodoviários paralisarem as suas atividades por tempo indeterminado até que a situação seja regularizada. Ele pediu que a prefeitura faça a intervenção e com que as empresas paguem os seus vencimentos da maneira correta. Os rodoviários ficaram na frente da garagem da empresa Trevo das 4h às 7h30min.

Os rodoviários reclamaram do parcelamento de salários após adesão das empresas à Medida Provisória 936 do governo federal, que permite a suspensão dos contratos, com integralização dos vencimentos pelo governo federal. Segundo Abbade, as empresas pagam em três parcelas a parte do pagamento que as compete. O vale-alimentação também estaria sendo parcelado, segundo o sindicalista. Os manifestantes carregavam bandeiras do sindicato e abordavam os motoristas na saída dos coletivos. Nenhum veículo foi impedido de circular. 

Ao entregar panfletos, os rodoviários alertaram para as dificuldades que os colegas estão vivendo. "Existem trabalhadores que estão vivendo de doação de cesta básica", destacou o presidente em exercício do sindicato. A manifestação foi acompanhada pelos agentes da EPTC e pela Brigada Militar. Conforme Abbade, os trabalhadores rodoviários não aceitam o parcelamento dos 50% do salários pago pelas empresas porque vêm sendo "guerreiros" na luta contra a Covid-19 ao atuarem na linha de frente de combate à pandemia, levando a população aos hospitais, postos de saúde e locais de trabalho.


A prefeitura vai aportar R$ 6 milhões na Carris para evitar que o serviço seja suspenso a partir do próximo mês. A queda na receita é de 70% em relação ao período anterior à pandemia do novo coronavírus. Diferente das empresas privadas, a Carris não pode aderir à Medida Provisória 936, do governo Federal, que permite às empresas realizar acordo direto com o empregado para diminuir a jornada e o salário, ou suspender o contrato de trabalho por tempo determinado, com pagamento de benefício aos trabalhadores por parte da União. Em 2020, devido à pandemia, no entanto, o aporte total no ano deverá ficar entre R$ 25 e R$ 30 milhões.