São Paulo fará primeiros testes do Brasil com plasma de pacientes curados de Covid-19
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São Paulo fará primeiros testes do Brasil com plasma de pacientes curados de Covid-19

Hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês e Universidade de São Paulo receberam autorização da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa para começar experimentos em doentes em estado grave

Por
Correio do Povo, Estadão Conteúdo e R7

Einstein e Sírio-Libanês recebem autorização para usar plasma de pacientes curados de coronavírus para tratar casos graves

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) definiu regras para testar no Brasil uma terapia experimental no combate à Covid-19 com plasma, técnica que utiliza o sangue de pacientes curados do novo coronavírus para tratar pessoas que tenham sido infectadas pela doença e estejam em estado grave de saúde. Segundo o órgão, o soro convalescente humano apresenta o potencial de ser uma opção para o tratamento já que os anticorpos (imunoglobulinas) presentes no plasma convalescente são proteínas que poderiam ajudar a combater a infecção. 

A nota técnica emitida pela Anvisa ressalta que o método deverá ter a sua eficácia aprovada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e Ministério da Saúde, mas pode ser utilizado em caráter experimental, mediante a adesão às normas previstas para a realização de pesquisa em seres humanos no País. Até o momento, o consórcio dos hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês e Universidade de São Paulo receberam autorização da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) para começar a fazer os testes clínicos em doentes em estado grave.

O plasma convalescente é a parte líquida do sangue coletada de pacientes que se recuperaram de uma infecção e sua administração passiva é um meio que pode fornecer imunidade imediata a pessoas suscetíveis. No caso da Covid-19, trata-se de um produto que pode estar rapidamente acessível, à medida que exista um número suficiente de pessoas que se recuperaram da doença e que possam doar o plasma contendo imunoglobinas que reajam contra o vírus.

O procedimento – já praticado com sucesso para o tratamento da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e nas epidemias de ebola e H1N1 – foi adotado pelo Hospital Policlínico de Pavia, na Lombardia, região situada no norte da Itália. A primeira doação recebida pelo centro médico foi de um casal de médicos, de acordo com relatos da mídia italiana.

Outra abertura para o uso do tratamento é durante situações especiais, considerando a emergência de saúde pública, a gravidade da doença e a condição de risco iminente à vida do paciente. A  decisão por utilizar o plasma convalescente para a Covid-19 poderá ser tomada sob responsabilidade do profissional médico, esclarecendo-se o caráter experimental e os riscos envolvidos, mediante consentimento dos pacientes ou seus familiares, além de conformidade com as regras de produção e qualidade aplicados em serviços de hemoterapia, serviços assistenciais de saúde e os requisitos para segurança daquele que receberá o tratamento.

Estados Unidos aprovam testes clínicos

A Food and Drug Administration (FDA), agência de medicamentos norte-americana, aprovou na sexta-feira testes clínicos envolvendo a retirada de plasma sanguíneo de pacientes em recuperação do coronavírus. A FDA anunciou que está trabalhando em colaboração com o governo, a indústria e a academia para desenvolver e implementar um protocolo para o fornecimento desse plasma. A princípio, ele será usado apenas em pacientes em estado crítico.

O tratamento envolve a retirada de plasma sanguíneo de um paciente que já teria desenvolvido imunidade à doença. Em seguida, o plasma seria injetado em um paciente doente, para que o anticorpo ataque o vírus. Além dos pacientes em estado grave, Arturo Casadevall, especialista em doenças infecciosas da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins, propôs o uso de plasma convalescente para impulsionar o sistema imunológico de profissionais de saúde e socorristas. "A capacidade de realizar um teste de profilaxia nos dirá se o plasma é eficaz na proteção de nossos profissionais de saúde e socorristas da Covid-19 ", disse Casadevall. 

Ele reuniu uma equipe de médicos e cientistas de todo os Estados Unidos para estabelecer uma rede de hospitais e bancos de sangue que podem coletar, isolar e processar plasma sanguíneo dos sobreviventes da Covid-19. Segundo pesquisadores da Johns Hopkins, a estratégia de isolar o plasma é uma tecnologia estabelecida há muito tempo e avanços recentes o tornam tão seguro quanto uma transfusão de sangue. A FDA antecipa que o esforço será capaz de mover milhares de unidades de plasma para pacientes que precisam delas nas próximas semanas.

As autoridades de saúde de Nova York esperam recrutar pacientes com Covid-19 de New Rochelle – marco zero para a infecção do Estado e área com a maior número de pessoas que se recuperaram – para ver se algum deles estaria disposto a se tornar doador viável. Atualmente, não existem terapias medicamentosas comprovadas ou vacinas eficazes para o tratamento da doença.