"Se não fosse a vacina, o cenário seria catastrófico", afirma infectologista

"Se não fosse a vacina, o cenário seria catastrófico", afirma infectologista

Aumento exponencial do contágio de Covid-19 em solo gaúcho se agravou esta semana

Felipe Samuel

O Rio Grande do Sul totaliza 143.283 casos de Covid-19 apenas em janeiro

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Um dia após o governo do Estado emitir alertas a 12 regiões Covid-19, o Rio Grande do Sul voltou a bater recorde de casos confirmados da doença em 24 horas. Com mais 18.302 diagnósticos do novo coronavírus registrados hoje, o Estado totaliza 143.283 apenas em janeiro - que já é o terceiro mês com maior número de infecções desde o início da pandemia. Em apenas 20 dias, o acumulado de casos Covid-19 é superior ao total verificado nos cincos meses anteriores.

O aumento exponencial do contágio em solo gaúcho se agravou esta semana. Os 18,3 mil diagnósticos de Covid-19 confirmados hoje representam o terceiro maior número de casos reportados em um dia desde o início da pandemia. De acordo com dados do Painel Coronavírus RS, da Secretaria Estadual da Saúde (SES), de agosto a dezembro do ano passado, os diagnósticos confirmados para a doença, em 153 dias, totalizam 119.762.

Embora especialistas alertem que a ocupação de leitos clínicos e de terapia intensiva não avança na mesma proporção que os contágios, nas últimas semanas houve aumento das internações. Professor de Infectologia da Faculdade de Medicina da Ufrgs, Alexandre Zavascki alerta que agora está há uma 'explosão da Ômicron' no Brasil e no RS, a exemplo do que ocorreu semanas atrás em países como África do Sul, EUA, Canada - além da Europa. "É tudo muito parecido, o crescimento é muito rápido, intenso, num período de tempo menor", destaca.

Mesmo com avanço da doença, o infectologista salienta a importância da vacinação. "Se não fosse a vacina, o cenário seria catastrófico, não teria nem como imaginar pela quantidade de casos", frisa. O especialista reforça que a doença se espalhou por todas as regiões de maneira muito rápida. "Esse é um aspecto bem diferente. Acho que ainda vamos bater mais recordes, infelizmente devemos bater mais recordes porque não há nenhum indicativo de que sequer tenha desacelerado essa ascensão de casos", observa.

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Zavascki destaca a importância da vacina para evitar quadros graves da doença e o aumento das internações. Mesmo diante desse contexto, ele alerta para a disseminação da nova variante. "Em números totais ainda é realmente baixo, sobretudo comparando com as ondas anteriores. Isso é o trabalho das vacina, mas assusta e torna bastante imprevisível o cenário a curto prazo pelo fato de estar sendo a expansão da epidemia como jamais foi vista", avalia. Ele ressalta que dessa vez as hospitalizações não devem seguir a mesma proporção de ondas anteriores. "Mas em algum momento vai impactar porque a quantidade de pessoas infectadas é muito grande", completa.

Até o início da noite, de um total de 3.157 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) 1.782 estavam ocupados, o que representava uma taxa de lotação de 56,4%. Do total, 328 apresentavam diagnóstico para o novo coronavírus, maior número de hospitalizações em 50 dias. Mesmo com boa retaguarda de leitos de UTI, as hospitalizações por Covid-19 dobraram em duas dias, passando de 158, no dia 5 de janeiro, para 328. No mesmo período, as internações em leitos clínicos saltaram de 189 para 789, ou seja, cresceram mais de quatro vezes em duas semanas.


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