Serviços de urgência e emergência seguem operando com capacidade máxima em Porto Alegre

Serviços de urgência e emergência seguem operando com capacidade máxima em Porto Alegre

Apesar da maioria dos casos envolva pacientes leves, preocupação é com as baixas no quadro de profissionais de saúde por conta da infecção por Covid-19

Felipe Samuel

Maioria dos pacientes apresentam casos leves

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Com aumento da demanda por serviços de urgência e emergência, hospitais e prontos-atendimentos referências para casos de síndrome gripal seguem operando com capacidade máxima desde o início da semana em Porto Alegre. Embora a esmagadora maioria dos casos envolva pacientes com casos leves, a preocupação agora é com as baixas no quadro de profissionais de saúde por conta da infecção por Covid-19.

Coordenador municipal de Urgências da Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre, Daniel Lenz Faria Corrêa explica que o 'fluxo de entrada de pacientes segue bem complicado'. O aumento repentino na busca por atendimento em emergências motivou uma reunião com gestores de hospitais privados. "Estão todos apavorados com aporte de pacientes", relata. "Felizmente a boa notícia é que é uma enxurrada de casos leves", completa.

A exemplo do começo da semana, o Pronto Atendimento da Bom Jesus (PABJ), que conta com 7 leitos, registrava nesta quinta-feira 342,86% de lotação, ou seja, tinha 24 pacientes em observação. Do lado de fora da unidade, alguns pacientes aguardavam por atendimento. Os prontos-atendimentos da Cruzeiro do Sul (183,33%) e da Lomba do Pinheiro (177,78%) também operavam com capacidade máxima. "Seguimos com parâmetro alto de atendimento, um pouco mais baixo do que foi segunda e terça, mas seguimos em alta", destaca.

Se as taxas de lotação dos serviços de urgência e emergência seguem em alta, a expectativa para a próxima semana é de aumento dos atendimentos. "Na semana que vem devemos ter reflexo das festas de Réveillon", afirma. No PA da Cruzeiro do Sul, dois profissionais da enfermagem foram afastados com sintomas gripais. "A maior preocupação envolve os profissionais da saúde com sintomas gripais que têm que ser afastados. Com isso perdemos mão de obra", alerta.  

"Estamos com a emergência lotada", diz gerente do Hospital de Clínicas

Gerente médica da Emergência do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Silvana Teixeira Dal Ponte afirma que muitos pacientes que acessam a emergência com síndrome gripal testam positivo para Influenza. "Estamos com a emergência lotada, mas a maioria dos pacientes não apresenta síndrome gripal. Também notamos aumento na procura por atendimento de pacientes com síndrome gripal, embora sejam a minoria ainda nessa lotação, aumentou bastante nesse início de ano", destaca.

Ao contrário do final do ano, quando o movimento na emergência era menor, Silvana garante que o cenário mudou de 'forma súbita'. "Agora a gente vê que a Influenza está bem intensa aqui. E a gente sabe também que tem os pacientes 'positivando' para Covid-19". Aqui no hospital os que entram com síndrome gripal a maioria é de Influenza", destaca. Nas últimas 24 horas, ela afirma que 70 pacientes foram atendidos na emergência. "É um número bem alto. Ficamos mais ou menos nessa média. Seguimos operando acima da capacidade, estamos com a nossa lotação máxima na emergência", ressalta.

Com os serviços de urgência e emergência lotados, Silvana recomenda que as pessoas busquem atendimento em emergências somente em casos graves. "O Clínicas é um hospital terciário, então a emergência é referência para pacientes com casos graves de síndrome gripal. É muito importante que pacientes com casos leves fiquem isolados e procurem atendimento em prontos-atendimentos e unidades básicas de saúde, ou seja, outras unidades de saúde. De preferência as mais próximas da sua casa ou de seu município", afirma.

A emergencista avalia que as festas de fim de ano, como Natal e Ano Novo, devem impactar no sistema de saúde na próxima semana. “A gente acredita que vai haver reflexo dessas festas em que teve aglomeração. Enfim, reforçamos a necessidade de evitar aglomeração, manter distanciamento e o uso de máscara é fundamental nesse período. A gente está mantendo alerta diário. A tendência é de aumento de casos tanto para Covid-19 quanto para Influenza. A gente está mantendo essa observação de perto.”

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