Servidores da Polícia Federal cobram aprovação da reestruturação das carreiras

Servidores da Polícia Federal cobram aprovação da reestruturação das carreiras

Em Porto Alegre, manifestantes protestaram e serviram pizza gigante na sede da Superintendência da PF

Felipe Samuel

Manifestantes afirmam que lei de diretrizes orçamentárias (LDO) prevê R$ 1,7 bilhão para a reestruturação

publicidade

Como parte da mobilização nacional pela valorização das forças de segurança pública, servidores da Polícia Federal voltaram a pressionar o governo federal, nesta quinta-feira, pela assinatura da medida provisória que determina a reestruturação das carreiras policiais da União. Em Porto Alegre, dezenas de trabalhadores vinculados ao Sindicato dos Policiais Federais do RS (Sinpef-RS) se reuniram para um ato na sede da superintendência da instituição e serviram uma pizza gigante como forma de protesto. Uma faixa na entrada da sede exibia a mensagem "Desvalorizar os policiais federais é fortalecer a corrupção".

No interior, a mobilização ocorreu em 13 unidades. O presidente do Sinpe-RS, Julio Cesar Santos, critica o recuo do presidente Jair Bolsonaro, que se comprometeu com a categoria e aprovou a lei de diretrizes orçamentárias (LDO) de 2023, que prevê R$ 1,7 bilhão para a reestruturação de cargos e carreiras da corporação. Apesar do longo período de negociações, Santos explica que Bolsonaro ainda não sancionou a medida provisória que trata do tema. "Compramos uma pizza para materializar essa questão. A gente não quer que isso se transforme em pizza", ironiza.

Santos reforça que o valor destinado para a categoria está previsto na LDO e já foi aprovado, faltando só a 'vontade política'. "A gente foi surpreendido com a fala do governo dizendo que ia recuar devido a pressão de outras categorias", observa. Por ora, ele garante que a categoria não fala em paralisação, mas as mobilizações vão continuar em todo país. Entre os temas discutidos estão a possibilidade de alteração na última classe. "São treze anos pra ascender o posto máximo da carreira, isso no caso do agente especial ou delegado especial. A gente entra na terceira classe, vai para a segunda, primeira, classe especial e acabou", completa.

De acordo com Santos, o objetivo é modificar a última classe. "Dá uma esticada no sentido de manter um servidor mais motivado ao longo da carreira. O que acontece hoje é que nós temos uma carreira muito curta", destaca. A ideia é estudar a criação de até dois postos acima para a categoria. "A formatação da medida provisória não saiu. E é isso que nós estamos cobrando até para que a gente possa discutir, modificar alguma coisa, conversar, porque não foi nos dada a oportunidade para discutir sobre essa reestruturação. O governo simplesmente falou que ia fazer e depois falou que não ia fazer, mas em nenhum momento foi nos oportunizada essa discussão", explica

Na próxima quinta-feira, a categoria deve voltar a protestar. E no dia 1º de junho, os policiais planejam uma caravana até Brasília, com representantes de vários estados. "A gente espera que o governo, até lá, acene com alguma coisa, no sentido de a gente parar esse movimento e realmente colocar todos os nossos esforços voltado ao trabalho, que é isso que a sociedade quer", completa.


Mais Lidas


Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895