Setor de eventos considera decreto "tímido" e "conservador" em Porto Alegre

Setor de eventos considera decreto "tímido" e "conservador" em Porto Alegre

Prefeitura alegou que tentou harmonizar regras municipais e estaduais para afastar a insegurança jurídica

Cláudio Isaías

Secretário disse que o pedido para a realização do evento precisa ter autorização do município

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O setor de eventos considera o decreto municipal anunciado nessa segunda-feira pelo prefeito Sebastião Melo para o enfrentamento da pandemia muito "tímido" e "conservador" com relação a parte que trata sobre a realização das atividades em Porto Alegre. A avaliação é da presidente da Associação Gaúcha de Empresas e Profissionais de Eventos (Agepes), Cláudia Fattore, ao explicar que a categoria está há quase 10 meses sem poder realizar, por exemplo, formaturas, casamentos, aniversários, entrega de prêmios, filmagens ou sonorização. 

"Estamos sem trabalhar e produzir e muita gente por conta da pandemia coronavírus desistiu do negócio eventos. Muita gente quebrou nesse período", ressaltou nesta quarta-feira. Segundo Cláudia Fattore, a entidade participou a convite do prefeito Melo da construção do protocolo, mas entende que ele é muito restrito. "Confiamos no prefeito Sebastião Melo para que ocorra a liberação gradativa e segura de todos os eventos", acrescentou.

A presidente da Agepes lembrou que foram realizados eventos testes nos meses de agosto e setembro e todos os protocolos de segurança foram rigorosamente atendidos. "Fizemos quatros eventos testes e ninguém adoeceu. Então, temos condições de fazermos uma recepção de formatura, um casamento ou um aniversário com toda a segurança", explicou. 

De acordo com a presidente da Agepes, a categoria esteve em diálogo constante com os governos estadual e municipal desde o início da pandemia, trabalhando em conjunto na elaboração de decretos e protocolos de segurança para a realização dos eventos. Segundo Cláudia Fattore, os profissionais atuam em diferentes áreas do mercado de eventos, como convites, decoração e flores, doces e lembrancinhas, drinks e bebidas, espaços, estética e salão de beleza, foto e vídeo, gastronomia, hotéis, identidade visual, locação de mobiliário e cenografia, música, organização e cerimonial, segurança, sonorização e iluminação, turismo e lua de mel, vestidos e trajes.

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Já o secretário extraordinário de Enfrentamento do Coronavírus, Renato Ramalho, afirmou que a intenção da prefeitura de Porto Alegre foi harmonizar as regras municipais e estaduais para afastar a insegurança jurídica e trazer maior previsibilidade ao setor de eventos. "Os eventos em Porto Alegre estão vedados porque o decreto estadual assim determina", ressaltou. No entanto, Ramalho afirmou que haverá exceções, por exemplo, no caso dos eventos abertos que serão permitidos desde que sigam os protocolos de segurança. Já em locais fechados, os eventos seguem proibidos. Porém, conforme Ramalho, será possível realizar o procedimento de excepcionalização para feiras, congressos e simpósios. 

Além disso, segundo o secretário, o pedido para a realização do evento precisa ter autorização do município. "Na prática, o empresário fará o pedido para o município onde vai ocorrer o evento e o Executivo municipal realizará a análise. Com a autorização, o empresário remeterá o pedido ao Estado que também fará uma apreciação da demanda", acrescentou. Mesmo eventos, antes proibidos em locais fechados como é o caso do auditório Araújo Vianna, no bairro Bom Fim, poderão ser liberados desde que sejam as regras dos protocolos de segurança e de distanciamento. O prazo máximo para análise dos pedidos de excepcionalização para realização de eventos será de sete dias, podendo ser prorrogado por mais sete, em caso de eventos superiores a 100 pessoas.


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