Sindicato dos Rodoviários alerta para paralisação do transporte em Porto Alegre

Sindicato dos Rodoviários alerta para paralisação do transporte em Porto Alegre

Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre protestou em frente à garagem da Sopal na manhã desta terça-feira

Cláudio Isaías

Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre protestou em frente da garagem da Sopal na manhã desta terça-feira

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Durante o protesto dos rodoviários de Porto Alegre, na manhã desta terça-feira, em frente à garagem da Sopal no bairro Rubem Berta, o presidente em exercício do Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre (Stetpoa), Sandro Abbade, alertou a categoria de uma possível paralisação geral do transporte público caso os salários e benefícios dos rodoviários não sejam pagos. 

"Estamos informando a categoria que a qualquer momento podemos parar o transporte público de Porto Alegre. O trabalhador rodoviário está perdendo. É inadmissível que quem transporta a cidade tenha seus vencimentos parcelados", ressaltou o presidente em exercício. O sindicalista fez um apelo para que a prefeitura cobre das empresas o pagamento dos salários e dos benefícios dos rodoviários. Os manifestantes ligados ao Sindicato realizaram a distribuição de panfletos alertando a categoria sobre o parcelamento dos vencimentos e dos benefícios.

Abbade afirmou que a iniciativa da categoria, formada por aproximadamente oito mil trabalhadores, foi mostrar para a patronal que os trabalhadores querem dialogar sobre o que está ocorrendo. "Estamos defendendo que os trabalhadores não tenham mais os seus salários parcelados e que parem as demissões”, destacou.

Grupo de 20 sindicalistas, que iniciou ato às 5h em frente ao consório MOB, também reclamrou de demissões por parte da empresa de ônibus. Com bandeiras e faixas, os rodoviários abordaram motoristas, cobradores e funcionários administrativos que chegavam ou que saiam para trabalhar. A Sopal possui 206 ônibus que atendem 19 linhas na zona Norte da cidade. No local, trabalham 900 funcionários. Não houve bloqueio da garagem, e os ônibus saíram normalmente da empresa. A manifestação foi acompanhada pelos fiscais da EPTC e pela Brigada Militar. 

Um levantamento do sindicato mostrou que 80% das empresas aderiram ao parcelamento de salários, mesmo com a adesão ao programa do governo federal, o que na avaliação da entidade é inadmissível para os trabalhadores que vêm cumprindo papel essencial no enfrentamento da Covid-19 em Porto Alegre. Abbade afirmou que a categoria é considerada linha de frente no enfrentamento ao coronavírus e está sendo prejudicada. “Os trabalhadores estão são penalizados com os cortes de benefícios, parcelamentos salariais, atrasos no vale-alimentação e demissões em algumas empresas”, acrescentou.

Em nota, a Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP) informou que sobre o parcelamento dos salários, a situação das empresas é bastante grave, e há dificuldade para pagar itens básicos da operação como o salário, e até o combustível. "A crise já vinha sendo enfrentada pelas empresas de ônibus, mas se agravou com a pandemia da Covid-19, chegando a ter uma queda de mais de 70% no número de passageiros".

O documento diz ainda que o "prejuízo desde o início da pandemia ultrapassa os R$ 40 milhões. As empresas de ônibus seguem buscado, junto a outras entidades do setor, apoio dos governos em todas as esferas, federal, estadual e municipal, mas até o momento não obtiveram êxito".


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