Sindimetrô não descarta paralisações contra privatização do Trensurb
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Sindimetrô não descarta paralisações contra privatização do Trensurb

Empresa foi incluída na lista de empreendimentos a serem concedidos à iniciativa privada

Por
Correio do Povo

Empresa vai decidir na próxima quinta a melhor forma de mobilização

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* Com informações de Guilherme Kepler, da Rádio Guaíba

O presidente do Sindicato Estadual dos Metroviários (Sindimetrô), Luiz Henrique Chagas, garantiu nesta quinta-feira não descartar uma paralisação dos serviços da Trensurb, após o anúncio da inclusão da empresa na lista de empreendimentos a serem concedidos à iniciativa privada pelo governo federal. A direção da entidade agendou para a próxima semana uma assembleia para deliberar formas de mobilização da categoria. O encontro vai ocorrer na próxima quinta-feira, 16 de maio, ao meio-dia, “Isso mostra o caráter de um governo que não tem nenhuma preocupação com a população, esquecendo que transporte é um meio social que está presente na Constituição”, afirmou.

Chagas comentou que se trata de um jogo de “cartas marcadas”. “Já vínhamos denunciando há anos o processo de privatização, que é sempre o mesmo. Começa pelo sucateamento da empresa, terceirização de setores importantes, como a nossa manutenção, e o aumento da tarifa. Em um ano, subiu mais de 100%, em um momento em que o país está em crise, com milhões de desempregados e trabalhadores na informalidade”, argumentou.

Na quarta-feira, o Conselho do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) do governo federal adicionou 59 projetos à lista de empreendimentos a serem concedidos à iniciativa privada, incluindo o que prevê a venda da Trensurb, responsável pelo trem de superfície entre Porto Alegre e Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. Com 22 estações, a linha totaliza 43,4 quilômetros de extensão.

Em 2018, a estatal transportou 51,7 milhões de usuários, o que equivale a uma média de 4,3 milhões/mês. Em cerca de um ano, o governo federal elevou duas vezes a tarifa do trem, rompendo uma sequência de dez anos de transporte subsidiado. Em 12 de março, os bilhetes passaram a custar R$ 4,20. Em fevereiro de 2018, a tarifa, de R$ 1,70, já havia praticamente dobrado, para R$ 3,30, sob a alegação de que era preciso buscar o reequilíbrio financeiro.

Entre outros empreendimentos, o PPI incluiu a 6ª rodada de concessões de aeroportos, que deve atingir um total de 22 terminais, divididos em três blocos por região. O Bloco Sul estima investimento de R$ 2,2 bilhões e contempla os aeroportos de Uruguaiana, Bagé e Pelotas. Também estão na lista os de Curitiba, Bacacheri, Londrina e Foz do Iguaçu (PR), e Joinville e Navegantes (SC).