Sociedade Brasileira de Infectologia pede volta de vacinação para adolescentes sem comorbidades

Sociedade Brasileira de Infectologia pede volta de vacinação para adolescentes sem comorbidades

Entidade afirma que benefícios da imunização de jovens superam substancialmente quaisquer riscos

Correio do Povo e R7

Entidade afirma que benefícios da imunização de jovens superam substancialmente quaisquer riscos

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A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) manifestou, nesta sexta-feira, posição divergente ao Ministério da Saúde, que recuou ontem na vacinação de adolescentes sem comorbidades, e pediu à pasta a revisão da posição. "Suspender a vacinação de adolescentes nesse momento pode prejudicar o bom andamento do controle da pandemia no território nacional, bem como gerar insegurança quanto ao uso dos imunizantes", apontou a entidade em nota.

Dentre os motivos apresentados em nota, a entidade reforça que o imunizante Pfizer foi autorizado pela Anvisa na aplicação em jovens de 12 a 17 anos, apresentando eficácia e segurança, comprovados em estudos científicos. O texto questiona também os 1.545 eventos adversos, dado apresentado pelo governo federal em coletiva à imprensa ontem. Segundo a SBI, não houve divulgação da gravidade destes eventos, tampouco é sabido se eles ocorreram de forma casual/aleatória ou se foram correlacionados de modo direto à aplicação do imunizante (relação causa-efeito).

Da mesma forma, faz os mesmos questionamentos em relação ao registro de óbito de um adolescente de 16 anos que recebeu a vacina da Pfizer. "O caso está em investigação pela Anvisa e não permite, até o momento, concluir se teve relação com a aplicação do imunizante", destaca a entidade. 

"Os benefícios da vacinação de adolescentes superam substancialmente os riscos. A incidência de eventos adversos graves, como miocardite e/ou pericardite, é de 16/1.000.000 de pessoas que recebem duas doses da vacina. A própria Covid-19 pode causar danos cardíacos relevantes, tanto em adultos como em adolescentes, com uma frequência mais elevada", destacou a nota, que lembra que a vacinação desta faixa etária, com a Pfizer, já ocorre em outros países.

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Sociedade Brasileira de Imunizações também critica recuo

Nessa quinta-feira, a Sociedade Brasileira de Imunizações também se posicionou contrária à decisão do governo federal. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) afirmou, em nota, que a "medida gera receio na população e abre espaço para fake news".

A associação disse entender "que a população de maior risco deve ser priorizada" na campanha de imunização, porém discordou dos pontos apontados pelo ministro Marcelo Queiroga para embasar a decisão da pasta. Segundo a SBIm, "as justificativas apresentadas não são claras ou não têm sustentação".

A entidade destacou a melhora no cenário epidemiológico brasileiro em razão da campanha de imunização em massa. "Não há evidências científicas que embasem a decisão de interromper a vacinação de adolescentes, com ou sem comorbidades. A SBIm, portanto, entende que o processo deve ser retomado, de acordo com o que já foi avaliado, liberado e indicado pela Anvisa."

Entenda o caso

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, confirmou na tarde dessa quinta-feira que o governo decidiu que só sejam vacinados adolescentes entre 12 e 17 anos com deficiências permanentes, comorbidades ou privadas de liberdade.

Em 2 de setembro, a pasta publicou uma nota informativa recomendando a vacinação de todo esse público. Durante a coletiva, Queiroga afirmou que "de forma intempestiva" quase 3,5 milhões de crianças e adolescentes entre 12 e 17 anos receberam a vacina. Desse total, 1,5 mil apresentaram eventos adversos.

A crítica do ministro é que os estados iniciaram as aplicações antes da data prevista na nota técnica anterior. Secretários de Saúde demonstraram surpresa pela suspensão da imunização de crianças e adolescentes sem uma deliberação tripartite. "Quem fica surpreso sou eu. Porque a vacinação deveria iniciar no dia 15 [de setembro] e, inclusive, foram feitas imunizações com vacinas fora das recomendações da Anvisa."

Queiroga afirmou, ainda, que aqueles adolescentes que já tomaram a primeira dose não devem completar o esquema vacinal, exceto se fizerem parte dos grupos prioritários. A nova orientação vale "até que se tenha mais evidências para seguir adiante".


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