"Todas as ações que tomamos foram para evitar o Lockdown", diz Marchezan

"Todas as ações que tomamos foram para evitar o Lockdown", diz Marchezan

Prefeito salientou que há a necessidade de reduzir a movimentação para travar os índices de contaminação

Por
Gabriel Guedes

Conforme o prefeito, o percentual de isolamento foi uma forma de passar uma mensagem à sociedade


publicidade

Em um dos períodos mais duros no enfrentamento à Covid-19 em Porto Alegre, com pelo menos 68 mortes nas duas últimas semanas, até às 18h desta sexta-feira, além de 191 pacientes internados com a doença em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), o prefeito Nelson Marchezan Júnior ressaltou que está fazendo o que pode para evitar uma solução ainda mais drástica. “Todas as ações que tomamos até agora, todas, foram para evitar o lockdown, para evitar um bloqueio total, que é algo muito indesejável”, reforça.

A mais recente é o decreto 20.639, publicado na madrugada da última segunda-feira, dia 6, impondo o fechamento por 15 dias de salões de beleza, academias e Mercado Público, além de proibição para estacionar na Área Azul, interdição de parques, como a Orla do Guaíba, e, desde a quinta-feira, o bloqueio de vale-transporte para trabalhadores de estabelecimentos que não estão autorizados a funcionar.

No balanço que fez nesta sexta-feira, o prefeito salientou que há a necessidade de reduzir a movimentação para travar os índices de contaminação, para não deixar que ninguém morra sem atendimento na cidade. “Uma forma da gente se precaver, que não tenha a circulação dos vírus e não tenha as UTIs lotadas, é a gente diminuir a circulação das pessoas”, afirma.

Para observar como a cidade está se comportando frente às medidas, Marchezan mencionou o monitoramento pelo volume de veículos que entram e transitam na cidade, o volume de passageiros que entram pelo transporte coletivo metropolitano, os que utilizam o transporte municipal e por aplicações que mensuram o isolamento social, como os dados fornecidos pelas operadoras de telefonia e também da solução “In loco”, na qual a prefeitura estabeleceu a meta de isolamento social em 55% como método para evitar o colapso do sistema de saúde da cidade nas próximas semanas.

Conforme o prefeito, o percentual de isolamento foi uma forma de passar uma mensagem à sociedade, “de que precisamos da colaboração de todos, para que a gente volte logo a algo mais parecido do normal”. Então Marchezan aproveitou para fazer um apelo à população. Em resumo: quanto mais se demorar a vencer a fase crítica, mais tempo levará para retomar a normalidade na cidade, em particular, a econômica. “A gente gostaria muito que todos fizessem um esforço individual para que o coletivo, como um todo ganhe. Tivemos uma ampliação no isolamento, mas ainda não é aquilo que a gente entende que é necessário realmente para ter sob controle a contaminação e poder reativar a economia”. lamenta.

A intensificação das ações fiscalizatórias, de acordo com o prefeito, faz parte da estratégia. Segundo ele, está cada vez mais difícil manter o distanciamento social na cidade, com empresas e pessoas infringindo o que as medidas têm determinado. “A gente está tendo que tomar algumas medidas de fiscalização ampliadas, que nós não gostaríamos. Não é nossa intenção aqui interditar ou multar estabelecimentos comerciais, mas infelizmente está aumentando. As pessoas, de alguma forma, estão se mostrando desconfortáveis com estas medidas então, está aumentando as autuações”, defende. Uma destas demonstrações de força ocorreu na tarde desta sexta-feira, quando uma operação com agentes da Prefeitura, Guarda Municipal e Brigada Militar fecharam 10 estabelecimentos.


Entretanto, reconhecendo que não há como fiscalizar tudo, bloquear as vagas da Área Azul, bem como o vale-transporte de trabalhadores de atividades não-essenciais, Marchezan disse que foi a forma - ou ferramenta, como ele preferiu denominar - encontrada para dificultar o funcionamento de atividades vedadas pelos decretos. Com estas ações, o prefeito espera que Porto Alegre consiga respirar nas próximas semanas. A resposta estará nas ações individuais das pessoas que poderão refletir nos indicadores dos próximos dias. “A gente espera, que a partir da semana que vem, tenhamos melhores resultados nas ocupações dos leitos de UTI”, torce.