Tragédias semelhantes ao incêndio de Carazinho já ocorreram no Rio Grande do Sul

Tragédias semelhantes ao incêndio de Carazinho já ocorreram no Rio Grande do Sul

Um centro de recuperação de Arroio dos Ratos e uma creche de Uruguaiana se assemelham em números e características

Henrique Massaro

Incêndio em clínica provocou a morte de sete pessoas

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O incêndio desta sexta-feira em Carazinho se assemelha, em números e características, a mais de uma tragédia ocorrida no Rio Grande do Sul. Uma delas foi há menos de seis anos, em Arroio dos Ratos, na Região Carbonífera, também em um centro de reabilitação. Oito homens morreram devido a um incêndio na clínica Novos Horizontes no dia 21 de julho de 2016. Seis vítimas morreram no local e uma delas a caminho do hospital. A última morte aconteceu três dias depois. No momento do início das chamas, elas estavam isolados em uma área de contenção fechada por grade e cadeado. Seis pessoas consideradas responsáveis pelo crime foram denunciadas pelo Ministério Público à Justiça

Outra tragédia ocorreu há pouco mais de 22 anos. Em 20 de junho de 2000, um incidente em Uruguaiana chocou e comoveu o Estado não só pelos 12 mortos que deixou, mas também pela idade das vítimas: crianças entre 2 e 3 anos de idade. Um aquecedor foi apontado pela perícia sete dias depois como a causa do fogo na creche municipal Casinha da Emília.

Foto: Miguel Castanini/CP Memória

Sete meninas e cinco meninos morreram na tragédia, enquanto dormiam na sala, no início da tarde. Apenas uma das crianças da turma sobreviveu. Segundo reportagem do Correio do Povo, alunos de uma escola estadual localizada ao lado notaram a fumaça e tentaram quebrar os vidros das basculantes da sala para salvar as crianças. A perícia se focou em descobrir se a porta da estava chaveada. Segundo o IGP, a conclusão foi de que, quando o incêndio começou, ela já estava dilatada por conta da temperatura e da umidade relativa do ar, mas não com chave, impedindo a abertura.

Foto: Miguel Castanini/CP Memória

O CP ainda relatou o desespero de familiares, que tomaram conta do IML buscando informações. Funcionários da creche precisaram ser retirados pela Brigada Militar (BM) para não serem linchados. A identificação de muitos corpos, segundo a reportagem, era difícil devido ao estado de carbonização. “O prefeito Neito Bonotto decretou luto oficial por três dias, suspendeu as atividades e afastou a direção e os funcionários da creche. Eles vão responder a uma sindicância e a um inquérito administrativo. O governador Olívio Dutra também decretou três dias de luto no Estado”, noticiou o periódico.

Centenas de pessoas fizeram um cordão humano na avenida de acesso ao Cemitério Municipal de Uruguaiana e acompanharam os velórios. Um levantamento preliminar divulgado pela Secretaria Estadual de Educação indicou que, na época, o Estado tinha 2.597 instituições de ensino infantil em situação irregular: 1.608 na rede municipal, 579 da rede privada e 410 da rede estadual.


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