"Traz o pai de volta para casa", diz esposa sobre pedido de filhas de Elissandro Spohr

"Traz o pai de volta para casa", diz esposa sobre pedido de filhas de Elissandro Spohr

Nathalia Daronch disse que o casal explicou para as meninas sobre o incêndio da Boate Kiss

Lou Cardoso e Paulo Tavares

Nathalia Daronch foi a terceira a depor no julgamento nesta segunda-feira

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Antes de vir para Porto Alegre depor no julgamento do caso da Boate Kiss, Nathalia Daronch, esposa de Elissandro Spohr, réu do processo, disse que recebeu um pedido das filhas do casal, de 8 e 5 anos. "Traz o pai de volta para a casa. Eu não sabia o que responder, porque eu não sei a resposta. É muito difícil para elas", afirmou Nathalia. 

Terceira pessoa a ser ouvida nesta segunda-feira, Nathalia estava grávida de quatro meses na época do incêndio, no qual, estava presente na Kiss naquela noite. Após a situação, ela e Spohr tiveram mais uma filha. "A gente precisou contar tudo o que aconteceu. Eu disse para elas da forma como dava. A Maria Luísa, que tem oito anos, disse 'tu não queria machucar aquelas pessoas, pai'. Escutar isso de uma criança é muito difícil", recordou a vítima. 

Noite do incêndio 

Sobre a noite do incêndio, Nathalia, que ficou cerca de cinco dias internada no hospital devido à intoxicação de fumaça, disse que permaneceu sentada entre as duas portas existentes na boate quando começou o fogo, mas ela não sabia o que estava acontecendo. Anteriormente, um rapaz, acidentalmente, lhe bateu com o cotovelo na barriga. 

Como o jovem, segundo ela, estava alcoolizado, Kiko o convenceu a ir para fora do estabelecimento para conversarem. "Neste momento, Kiko entrou na boate após falar com o jovem e o segurança lhe disse que havia acontecido uma 'coisa muito séria''", relatou Nathalia. "Ele colocou as mãos na cabeça e gritou para todos saírem e que os seguranças deixassem as portas abertas", afirmou.

A sua saída do local foi junto com a multidão. Ela recordou que teve dificuldade em sair da calçada na frente da boate, pois um táxi barrava a sua passagem. Nathalia disse que não teve outra maneira a não ser pular pelo capô do carro. "Quando cheguei na área do Carrefour, cujos fundos ficam na frente da boate, percebi que não era uma briga", afirmou.

Espuma 

Segundo Nathalia, a colocação da espuma não foi ideia de Kiko, mas sim de um engenheiro de nome Samir. A mulher de Elissandro Spohr, disse que o profissional também vendia o material. 

A proposta foi para impedir o vazamento de som, pois antes Kiko havia investido cerca de R$ 250 mil na reforma do prédio e tinham sido colocadas pedras para que a acústica não vazasse. "Foi um investimento grande, pois as pedras não eram de Santa Maria e foi preciso uma logística grande para trazê-las para a cidade", comentou a testemunha.

Para esta segunda-feira, o julgamento ainda ouvirá Márcio, irmão do réu Marcelo de Jesus dos Santos, vocalista da banda Gurizada Fandangueira. Ele será o último depoente deste sexto dia de júri.  

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