Usuários do SUS reclamam da demora no atendimento em Porto Alegre
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Usuários do SUS reclamam da demora no atendimento em Porto Alegre

Pacientes reclamam aguardam até sete horas para ser atendido por um clínico geral

Por
Cláudio Isaías

Longas esperas geram críticas de pacientes e seus familiares

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As pessoas que necessitam utilizar as unidades de pronto atendimento de Porto Alegre conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) reclamam da espera para serem atendidas. Em alguns casos, os pacientes chegam aguardar de seis a oito horas para receber a assistência médica. No Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul, na rua professor Manoel Lobato, na zona Sul da cidade, a dona de casa Marlene Petry, residente em Ipanema, estava indignada com a demora na consulta da filha de 38 anos.

"A minha filha está há dois meses com uma tosse. Chegamos na quinta-feira às 22h e somente nesta sexta-feira às 5h30min conseguimos ser atendida pelo clínico geral", comentou.

Marlene disse que não é possível esperar mais de sete horas para receber a avaliação de um profissional médico. Por volta das 8h30min, a filha de Marlene aguardava os resultados dos exames. Já a doméstica Elisa Antunes, moradora da Banca Inglesa, no bairro Santa Tereza, trouxe o filho de 31 anos que estava com febre. "Chegamos na quinta-feira e tinha mais de 60 pessoas no saguão do posto. Acabamos desistindo e voltamos na sexta-feira em busca de uma solução para o caso do meu filho", destacou.

A mesma situação é vivenciada pelos usuários do Pronto Atendimento Bom Jesus, na zona Norte de Porto Alegre. Nesta sexta-feira, a dona de casa Juraci da Silva, residente no bairro Mário Quintana, afirmou que saiu de casa às 6h para resolver uma dor no pé. "Tenho diabetes e qualquer problema busco assistência médica", comentou a dona de casa. Ela explicou que não conseguiu dormir à noite em razão da dor. Juraci disse que escolheu a unidade do bairro Bom Jesus porque recebeu a informação de que a UPA Moacyr Scliar, na zona Norte, estava lotada e não estaria recebendo pacientes.

Por volta das 9h, ela foi atendida pela equipe médica. No entanto, Juraci reclamou da assistência no domingo, dia 10 de junho, quando levou mais de quatro horas para consultar. Já a doméstica Cleonice dos Santos, que levou a filha de 17 anos com suspeita de Tuberculose, para realizar exames no posto de saúde ressaltou que na quinta-feira ficou mais de sete horas aguardando pela consulta. "Chegamos às 8h30min e somente fomos atendidas às 16h30min. Considero essa demora um desrespeito com a população", acrescentou.

Na UPA Moacyr Scliar, na zona Norte da Cidade, o analista de crédito Rogério Dias, que estava com indisposição estomacal informou que levou duas horas para ser atendido nesta sexta-feira. No entanto, no domingo, ele lembrou o caso da sua esposa que estava com dor de cabeça e teria levado cerca de quatro horas até que fosse realizada a consulta com um clínico geral na unidade de saúde.

Casos de urgência são priorizados, afirma SMS

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que tanto no Pronto Atendimento da Cruzeiro do Sul quanto o das unidades da Lomba do Pinheiro, Bom Jesus, Restinga e UPA Zona Norte são priorizados os casos de urgência e emergência que chegam em ambulâncias do Samu em detrimento dos casos mais leves. Conforme a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a demora nos atendimentos ocorre em função da procura equivocada de pacientes por especialidades que não são oferecidas em determinadas unidades.

A SMS explica que a procura por clínico geral deve ser feita em postos de saúde, e não em UPAs, e ressalta que o longo tempo de espera decorre de necessidade de priorizar casos graves e urgentes em unidades de pronto atendimento. Segundo a secretaria, cerca de 70% dos casos que chegam nestes locais são considerados de baixa complexidade, sem urgência, e deveriam ser atendidos em postos de saúde.

A gerente da UPA Moacyr Scliar, Lúcia Osório, esclarece que a unidade — que é administrada pelo Grupo Hospitalar Conceição(GHC) — está com atendimento normal e recebendo pacientes adultos. A única restrição no atendimento diz respeito ao setor de pediatria que está superlotado. No local, existem quatro leitos ocupados por dez crianças.