“Vivemos uma tragédia sem precedentes”, afirma epidemiologista

“Vivemos uma tragédia sem precedentes”, afirma epidemiologista

Para Paulo Petry, transmissão comunitária da variante P.1 traz cenário sombrio ao RS

Felipe Samuel

Momento é crítico no RS, analisa epidemiologista

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Praticamente um ano após confirmar o primeiro caso de infecção pelo coronavírus, que ocorreu em 10 de março do ano passado, o Rio Grande do Sul enfrenta o momento mais difícil da pandemia. Com a confirmação da transmissão comunitária da nova variante P.1 e o esgotamento da rede hospitalar no Estado, especialistas vêm alertando sobre a necessidade de reduzir a circulação da população e acelerar o ritmo de vacinação. 

Na prática, as medidas têm por objetivo diminuir a transmissão do vírus e desafogar o sistema de saúde. Professor de Epidemiologia da Ufrgs, Paulo Petry defende medidas mais drásticas, como o lockdown adotado em países da Europa, para conter a expansão da Covid-19, que no RS tirou a vida de 13 mil gaúchos. “Vivemos uma tragédia sem precedentes na história de todos os tempos”, observa.

O epidemiologista explica que quanto mais tempo o vírus circula, com tamanha intensidade, maior é a probabilidade de ocorrer mutações, como é o caso da variante P.1. “A ciência foi extremamente rápida em produzir vacinas, foi algo inédito. Se criou a vacina em tempo recorde, com produção e distribuição de vacinas, mas especialmente no Brasil, a vacinação está muito lenta. Com isso o vírus vai se perpetuando, permanecendo ativo. E o que está acontecendo são essas mutações”, assinala. Passado um mês e meio do início da campanha de vacinação, o Estado ainda não chegou a imunizar 5% de sua população.  

Especialista defende vacinação mais rápida

Conforme Petry, as variantes encontradas no Brasil, Reino Unido, África do Sul e mais recentemente nos EUA podem ser mais resistentes aos imunizantes. “As vacinas foram produzidas para atacar um determinado vírus. Com o vírus mudando pode mudar o efeito. Ainda não está claro como fica a questão dos anticorpos das pessoas vacinadas e das que adoeceram”, frisa.

De acordo com Petry, a linhagem do vírus encontrada na Capital, a P.1, chama atenção por ser mais transmissível. “E está se mostrando com uma letalidade importante. A gente fica com panorama sombrio, porque as vacinas não 'decolam', o tempo vai passando e as variantes vão surgindo. Chegamos num ponto de colapso do sistema, num ponto dramático”, alerta. Além da nova cepa, ele atribui o aumento das internações às aglomerações do Carnaval: “O comportamento da população que nos levou a esse caos”.

Mesmo três meses antes do início do inverno, Petry afirma que esse período tradicionalmente traz problemas envolvendo infecção respiratória e gripes sazonais. “Esse vírus já mostrou que não respeita temperatura, como se verificou em Manaus, que é extremamente quente. O verão europeu trouxe a segunda onda para eles”, compara. “A chegada do inverno preocupa, porque traz outras doenças respiratórias. E com o frio as pessoas ficam em ambientes mais fechados.”

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