Abbas rejeita plano de paz dos EUA no Conselho de Segurança da ONU
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Abbas rejeita plano de paz dos EUA no Conselho de Segurança da ONU

Presidente da Autoridade Palestina disse que proposta não proporciona soberania ao seu povo

Por
AFP

Abbas criticou o plano de paz entre israelenses e palestinos proposto pelos Estados Unidos

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O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, criticou nesta terça-feira, perante o Conselho de Segurança da ONU, o plano de paz entre israelenses e palestinos proposto pelos Estados Unidos, que é um "queijo suíço Gruyère" e não proporciona soberania ao povo palestino. "Rejeitamos o plano israelense-palestino", que "questiona os direitos legítimos dos palestinos", disse Abbas, enquanto segurava um grande mapa da Palestina com as fronteiras definidas pelo plano de Washington.

"Gostaria de dizer ao sr. Donald Trump que este plano não pode conseguir a paz e a segurança", porque "suprime todos os direitos dos palestinos. Não reúne as aspirações de uma solução de dois Estados", declarou Abbas ao Conselho. "Se a paz for imposta, não vai durar, não tem como durar", acrescentou. "O que lhes dá o direito de anexar estas terras?", questionou, referindo-se às anexações feitas por Israel no vale do Jordão e em outras partes da Cisjordânia. O plano faria da Palestina "um Estado fragmentado", sem controle aéreo, nem marítimo. "Quem de vocês aceitaria um tal Estado?", perguntou aos membros do Conselho, evocando uma situação de "apartheid". 

Na segunda-feira, os palestinos desistiram de submeter ao voto do Conselho uma resolução por falta de apoio internacional, um sério revés para eles, mesmo que garantam que as negociações sobre o texto iniciadas na semana passada continuarão. Segundo um diplomata ocidental, Washington ameaçou com "medidas retaliatórias", em particular financeiras, os países que se posicionassem contra os Estados Unidos.

No domingo, os Estados Unidos e o Reino Unido apresentaram aos seus parceiros do Conselho de Segurança uma série de emendas ao texto, com o objetivo de remover qualquer crítica ao plano de paz americano apresentado por Donald Trump em 28 de janeiro. Este projeto mantém uma "solução de dois Estados" e propõe a criação de uma capital de um Estado palestino em Abu Dis, um subúrbio de Jerusalém, enquanto os palestinos querem transformar toda Jerusalém Oriental na capital de seu Estado.

Também inclui a anexação por Israel dos assentamentos israelenses, bem como do Vale do Jordão, na Cisjordânia, um território palestino ocupado desde 1967, com fronteiras rompendo as linhas traçadas na época. Prevê ainda um Estado palestino desmilitarizado alterando sua soberania.

"Estes são nossos territórios", afirmou perante o Conselho de Segurança Mahmoud Abbas. "O que lhes dá o direito de anexá-los?", perguntou aos israelenses, pedindo à "comunidade internacional que pressione Israel" para evitar essa perspectiva. Entre as emendas ao projeto de resolução, Washington pediu a exclusão da menção de uma visão de "dois Estados soberanos e democráticos", a fim de manter apenas a qualificação de "Estados democráticos".

Em uma declaração conjunta antes da reunião do Conselho de Segurança, os membros da União Europeia presentes neste órgão (Bélgica, França, Alemanha, Estônia, mais a Polônia) enfatizaram seu compromisso de alcançar uma solução de dois Estados, incluindo "um Estado único, independente, democrático, soberano e viável" para os palestinos.

Para os palestinos e muitos de seus apoiadores, o projeto americano é desequilibrado e favorável demais a Israel. Mahmoud Abbas reiterou que "os Estados Unidos não podem mais ser o único mediador" da paz no Oriente Médio. Ele pediu ao "Quarteto (Estados Unidos, Rússia, União Europeia e Nações Unidas) e aos membros do Conselho de Segurança que organizem uma conferência internacional de paz", sem dar mais detalhes.