Advogados japoneses de Carlos Ghosn se retiram do caso

Advogados japoneses de Carlos Ghosn se retiram do caso

Ex-CEO da Renault-Nissan fugiu do Japão para o Líbano

Por
AFP

Carlos Ghosn perdeu seu advogado, mas segue no Líbano após fuga de prisão domiciliar


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O advogado japonês de Carlos Ghosn, Junichiro Hironaka, anunciou nesta quinta-feira a retirada de seu escritório do caso de Carlos Ghosn, como resultado da fuga para o Líbano do ex-CEO da Renault-Nissan. "Hoje entregamos ao tribunal de Tóquio uma carta com a renúncia de todos os advogados do gabinete de Hironaka para todos os assuntos relativos a Carlos Ghosn", explicou o advogado em comunicado. 

Hironaka não escondeu sua "estupefação" pela fuga de Carlos Ghosn no final de dezembro. Essa decisão não é realmente uma surpresa, já que Hironaka, de 74 anos, disse que se retiraria após a fuga de seu cliente. Mas, em tese, era possível que outros advogados de seu escritório assumissem o caso Carlos Ghosn. Dois outros escritórios de advocacia japoneses, o de Hiroshi Kawatsu e o de Takashi Takano, trabalham com Hironaka há um ano para defender Carlos Ghosn, sobre o qual estão pendentes quatro acusações. 

Nas entrevistas que deu a vários meios de comunicação do Líbano, Ghosn declarou que precisava de seus defensores japoneses. Eles estão em uma situação delicada, agora, devido à fuga de seu cliente. A proibição de deixar o país era uma condição para sua libertação sob fiança, pela qual os advogados se tornaram garantidores. Hironaka não permitiu que os promotores entrassem em seus escritórios na semana passada para apreender o material relativo ao caso Ghosn. 


Os investigadores suspeitam que Hironaka tenha preparado sua fuga do computador que o escritório tinha colocado à sua disposição nas suas instalações. O tribunal de Tóquio validou nesta quinta-feira a separação dos processos no caso Ghosn, segundo a imprensa japonesa. Ghosn deveria ser julgado ao mesmo tempo que seu ex-braço direito Greg Kelly e a Nissan no capítulo sobre sonegação. Na ausência de Ghosn, apenas as outras duas pessoas serão julgadas, pois o direito penal japonês não prevê um processo à revelia.