Alberto Fernández se preocupa com reação de Bolsonaro diante da pandemia

Alberto Fernández se preocupa com reação de Bolsonaro diante da pandemia

Para presidente argentino, declarações do líder brasileiro podem levar a uma espiral de contágios

AFP

Fernández considera que Bolsonaro não entende a gravidade da situação envolvendo o novo coronavírus

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O presidente argentino, Alberto Fernández, considerou nesta segunda-feira que a estratégia de seu colega brasileiro, Jair Bolsonaro, diante da pandemia do novo coronavírus pode levar seu principal sócio comercial a uma espiral de contágios.

"Complicado e lamento muito que não entenda a dimensão do problema", disse à Radio con Vos ao ser questionado sobre o pedido de Bolsonaro aos brasileiros para que retomem suas atividades normalmente apesar do avanço da pandemia no Brasil, onde se registram mais de 4 mil casos e 130 mortes.

A Argentina compartilha com o Brasil uma fronteira de cerca de 1,1 mil km de extensão e é o principal destino de suas exportações."O Brasil é 70% do Produto Bruto sul-americano e nosso principal parceiro econômico", destacou Fernández.

"Temo que com essa lógica (o Brasil) entre na mesma espiral (de contágios) da Espanha, Itália ou Estados Unidos, que quando declararam a quarentena já era tarde", enfatizou.

Bolsonaro afirmou no domingo que "o Brasil não pode parar", em discurso oposto ao do seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que havia ressaltado a importância do isolamento social na luta contra a doença. Na opinião de Bolsonaro, "se não morrer da doença, morre de fome".

A Argentina tomou o caminho contrário e, além de de fechar as fronteiras, o governo estendeu no domingo por mais duas semanas, até 12 de abril, uma quarentena obrigatória que começou em 20 de março.

"Aos argentinos, minha gratidão porque entendem a razão do que peço e sinto que acompanham a ideia", disse Fernández sobre o confinamento obrigatório, que foi amplamente acatado. 

A Argentina registrou até esta segunda-feira 820 casos positivos do novo coronavírus e 22 mortos, segundo o último balanço oficial. O país sul-americano está se preparando com o condicionamento de mais leitos hospitalares e a aquisição e produção de suprimentos para um eventual pico de contágios, projetado para o início de maio.

Apesar das medidas antecipadas de isolamento para conter as infecções, o presidente argentino admitiu que a situação será difícil."Teremos dificuldades, haverá mais contágios e pessoas morrerão, mas quero que nos doa o mínimo possível", declarou.

Como prevenir o contágio do novo coronavírus 

De acordo com recomendações do Ministério da Saúde, há pelo menos cinco medidas que ajudam na prevenção do contágio do novo coronavírus:

• lavar as mãos com água e sabão ou então usar álcool gel.

• cobrir o nariz e a boca ao espirrar ou tossir.

• evitar aglomerações se estiver doente.

• manter os ambientes bem ventilados.

• não compartilhar objetos pessoais.


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