América Latina se torna centro dos protestos contra a violência dirigida às mulheres

América Latina se torna centro dos protestos contra a violência dirigida às mulheres

Data de hoje marca o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres

AFP

Manifestações ocorreram nesta quarta-feira em diversos países

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"O estuprador é você", música nascida no Chile e adotada por mulheres em todo o mundo, voltará a ser ouvida com força nesta quarta-feira na América Latina, epicentro dos protestos do Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres. Lima, Bogotá, Caracas, Cidade do México, Buenos Aires, Montevidéu, La Paz e inúmeras outras cidades também serão palco de mobilizações em crítica à discriminação de gênero e exigir leis contra os crimes machistas e a favor da descriminalização do aborto.

Em uma situação já ruim, quarentenas impostas em muitos países para combater a pandemia da Covid-19 foram acrescentadas a este ano. Segundo dados da ONU Mulheres publicados no final de setembro, o confinamento levou a um aumento de denúncias ou ligações às autoridades por causa da violência doméstica, de 25% na Argentina, 30% em Chipre, 33% em Cingapura e 30% na França.

Antes do aparecimento da Covid-19, "em todo o mundo 243 milhões de mulheres e meninas foram maltratadas por seus parceiros no ano passado", disse a agência das Nações Unidas. "A pandemia intensificou a violência, que se agravou com a redução dos serviços de apoio e do acesso à ajuda", acrescentou.

Grandes manifestações são esperadas no Chile. O presidente Sebastián Piñera lamentou o aumento da violência sexista em uma cerimônia no Palácio de la Moneda em celebração à data. Em 2020, grupos feministas no Chile estimam em 44 o número de feminicídios ocorridos.

"Dívida histórica"

No México, onde as manifestações feministas se multiplicaram no ano passado, autoridades e cidadãos ergueram barreiras de proteção nas rotas que seguirão para evitar o vandalismo.

No país americano, a violência de gênero mata cerca de 3,8 mil mulheres a cada ano, reconheceu o governo mexicano nesta quarta-feira, exigindo uma mudança cultural que elimine o machismo e o patriarcado. "Temos uma dívida histórica com as mulheres, especialmente com as vítimas de violência, e não podemos permitir a impunidade", disse a secretária de Governo, Olga Sánchez, durante a coletiva de imprensa matinal do presidente Manuel Andrés López Obrador.

De acordo com dados estatais do Instituto Nacional de Estatística citados por Sánchez, na última década seis em cada dez mulheres sofreram algum tipo de agressão no México. As estatísticas também mostram que uma média diária de 32 meninas com idades entre 10 e 14 anos tornam-se mães por causa do abuso sexual e uma em cada quatro sofreu violência no ambiente escolar.

Na Argentina, onde se espera uma grande manifestação - afetada pela morte de Diego Maradona - a pandemia potencializou a violência sexista, com o registro de 184 feminicídios desde 20 de março (265 desde janeiro), segundo o Observatório da organização feminista Marea.

Identificada com o já emblemático lenço verde, uma das principais demandas dos grupos feministas é o debate imediato do projeto de lei pela legalização do aborto, que o presidente Alberto Fernández encaminhou ao Congresso argentino há uma semana.

No país de maioria católica e onde nasceu o Papa Francisco, é a nona vez que um projeto de interrupção legal da gravidez (ILE) é apresentado ao Legislativo. Mas apenas uma vez, em 2018, chegou a ser avaliado, onde foi aprovado na Câmara dos Deputados, mas rejeitado no Senado. É a primeira vez que o projeto é enviado pelo Executivo.


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