América Latina supera 25 milhões de infectados em meio a avanço desenfreado da Covid-19

América Latina supera 25 milhões de infectados em meio a avanço desenfreado da Covid-19

Região também registra 788 mil mortos por Covid-19

AFP

Região também registra 788 mil mortos por Covid-19

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A América Latina superou, nesta sexta-feira, 25 milhões de infectados pelo coronavírus, em meio ao avanço alarmante da pandemia, que leva ao aumento das medidas de restrição em vários países e à tentativa de acelerar a vacinação. A região superou 25 milhões de infectados às 17h GMT, segundo um balanço da AFP com base em dados oficiais. Além disso, registra 788 mil mortos pela doença.

Os recordes de infecções diárias, como no Peru, e de mortos, como no Uruguai, seguem alarmando o continente. O Chile anunciou ontem que fechará suas fronteiras a partir de segunda-feira e durante todo o mês, devido ao número recorde de novas infecções. "Precisamos urgentemente de um esforço adicional, porque estamos em um momento muito crítico", disse o porta-voz do governo, Jaime Bellolio.

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Esta decisão coincide com o maior número diário de infecções desde o início da pandemia no Chile: 7.830. Aos quais se somam 193 falecidos. No total, o país, onde as variantes brasileira e britânica circulam, ultrapassou um milhão de casos e 23 mil mortes.

A esperança reside na vacinação, que avança em um ritmo desigual entre os países. O processo é bem-sucedido nos Estados Unidos, que já vacinaram cerca de 100 milhões de pessoas com ao menos uma dose, segundo dados da autoridade de saúde divulgados ontem.

O presidente americano, Joe Biden, voltou a pedir que a população "não baixe a guarda", para "terminar este trabalho" contra a pandemia. No país, que registra o maior número de mortos pela doença no mundo, autoridades informaram que os vacinados podem voltar a viajar com precaução, embora os que cheguem do exterior tenham que apresentar um teste negativo.

Novas restrições

Outro país latino onde a situação se agrava é o Equador, onde foi declarado estado de exceção por 30 dias em várias províncias, que concentram 70% da população, devido ao aumento das infecções. Os novos casos se devem, em parte, às novas variantes do vírus, que afetam setores da população até então mais preservados e agravam os sintomas de alguns pacientes, sendo mais virulentas, segundo o governo.

O segundo turno das eleições presidenciais no Equador, em 11 de abril, será mantido, com o aumento das medidas de segurança sanitária.

O Uruguai, até recentemente considerado um exemplo na gestão da Covid-19, registrou 35 mortes nesta quinta-feira, um recorde diário. O país já ultrapassou 1.000 óbitos e as infecções continuam aumentando. O governo uruguaio defende a "liberdade responsável" e resiste à pressão de opositores para que imponha restrições.

Em vários países da região, são registrados casos da variante brasileira do novo coronavírus, a P1, que se acredita ser mais contagiosa. O Brasil experimentou o pior mês da pandemia em março, com mais de 66.000 mortos, e é o segundo país com mais óbitos, um total de 321.000.

Mais vacinas 

Diante da situação alarmante de seu vizinho, a Bolívia ordenou o fechamento preventivo de sua fronteira com o Brasil, que se estende por 3.400 km, a partir desta sexta, por uma semana.

No Uruguai, quase 20% da população já foi inoculada com a primeira ou segunda dose da Coronavac ou Pfizer. Na Argentina, 1 milhão de doses da vacina Sinopharm, fabricada na China, foram recebidas nesta quinta-feira.

No Brasil, cerca de 8% dos 212 milhões de cidadãos receberam a primeira dose da vacina e 2,3% estão totalmente imunizados. Analistas atribuem essa lentidão à demora do governo do presidente Jair Bolsonaro em fechar acordos com as farmacêuticas.

Nesta sexta-feira, o laboratório chinês Sinovac anunciou que dobrou a capacidade de produção de sua vacina Coronavac, para 2 bilhões de doses por ano. O imunizante já é aplicado em 20 países.

Avanço lento na Europa

A diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Carissa Etienne, observou esta semana que não há vacinas suficientes na região para impedir os surtos ativos, e defendeu a prevenção. "Quando as vacinas chegarem, faremos nosso trabalho para que sejam distribuídas o mais rápida e equitativamente possível, mas agora não temos vacinas suficientes para impedir os surtos ativos", declarou.

Na Europa, a campanha de vacinação também está longe das metas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) criticou ontem a lentidão, que chamou de inaceitável. Somam-se a isso as limitações na administração das vacinas.

A Holanda suspendeu ontem a aplicação da AstraZeneca em pessoas com menos de 60 anos, após novos casos de coágulos sanguíneos. O Reino Unido já identificou 30 casos de coágulos em pessoas que receberam a vacina, mas afirmou que o risco é muito baixo, após a administração de 18,1 milhões de doses.


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