Américas sofrem "crise de saúde mental" por pandemia, que volta a crescer na Europa e na Ásia

Américas sofrem "crise de saúde mental" por pandemia, que volta a crescer na Europa e na Ásia

Quase metade dos adultos nos EUA, Brasil e México sofre com a emergência sanitária, que também gerou a um "aumento da violência doméstica"

AFP

Estudos foram fetos no Brasil, México e EUA

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A pandemia de Covid-19 causou uma "crise de saúde mental" sem precedentes no continente americano, alertou a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) nessa terça-feira, enquanto as infecções mais uma vez dispararam alarmes na Espanha e iniciaram uma nova fase na região Ásia-Pacífico. De acordo com o escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas, com base em pesquisas nos Estados Unidos, Brasil e México, os três países mostram que quase metade dos adultos sofre com a emergência sanitária, que também gerou a um "aumento da violência doméstica".

A América Latina e o Caribe, onde mais de 243 mil mortes e 6,2 milhões de casos já foram registrados desde o início da pandemia, segundo balanço da AFP, responderam por praticamente metade das mortes por coronavírus no mundo na última semana.Desde seu aparecimento na China no final do ano passado, a pandemia causou 775.726 mortes no mundo e quase 22 milhões de infecções, de acordo com uma contagem da AFP com base em números oficiais.

Na Europa, com mais de 211 mil mortes por coronavírus e 3,5 milhões de casos, um dos países onde os surtos são mais preocupantes é a Espanha, que registrou mais de 16 mil infecções entre sexta e segunda-feira.

"Nacionalismo" de vacinas

O surgimento cada vez mais factível de uma vacina gera esperança, mas também requer planejamento. Nesta terça-feira, a OMS pediu aos seus países-membros que se unam a seu programa de acesso à vacina contra o COVID-19, combatendo o "nacionalismo das vacinas".

Uma vez que as vacinas estejam disponíveis, a OMS propõe que sejam distribuídas em duas fases, a primeira proporcional e simultaneamente a todos os países participantes do programa, com o objetivo de reduzir o risco global, e a segunda em que será levada em consideração a ameaça e a vulnerabilidade dos países, explicou o diretor da OMS.

A vacina russa, batizada de Sputnik V e da qual já foi anunciado um primeiro lote, desperta desconfiança entre os pesquisadores ocidentais, mas recebeu o apoio do presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, nesta segunda-feira.

"Eu seria o primeiro a me deixar vacinar, porque é muito importante para mim, mas temos que saber bem o que está acontecendo, garantir que seja algo eficaz e que esteja ao alcance de todas as pessoas", disse o presidente.

Já na Austrália, o governo anunciou que chegou a um acordo com o grupo farmacêutico AstraZeneca sobre a vacina que está desenvolvendo com a Universidade Britânica de Oxford e, se for eficaz, será fabricada e distribuída gratuitamente a todos os cidadãos.

Nova fase

A OMS também apontou a região da Ásia-Pacífico, que disse ter entrado em uma "nova fase" na qual a doença se espalha entre aqueles com menos de 50 anos, que costumam ser assintomáticos.

Pessoas infectadas sem sintomas ou com sintomas leves correm o risco de infectar idosos ou pessoas com problemas de saúde, de acordo com Takeshi Kasai, diretor da OMS para o Pacífico Ocidental, em uma entrevista coletiva.

"A epidemia está mudando. Pessoas na faixa dos 20, 30 ou 40 anos são cada vez mais uma ameaça". Não estamos apenas vendo um novo crescimento, vejo sinais de que entramos em uma nova fase", acrescentou Kasai.

México, em "queda"

Em contraste com os tristes registros de saúde na América Latina, o governo mexicano disse nesta terça-feira que a pandemia entrou em uma "fase de declínio" no país, avaliação que levanta dúvidas dado o baixo número de testes realizados.

O México, de 128,8 milhões de habitantes, registrou 531.239 casos confirmados e 57.774 mortes por COVID-19 na segunda-feira. A economia regional, gravemente afetada pela pandemia, voltou a apresentar números decepcionantes em uma de suas principais economias.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Chile caiu 14,1% no segundo trimestre, afetado pelas restrições sanitárias que causaram quedas em todos os setores exceto mineração, informou o Banco Central do país na terça-feira. "Já no início do terceiro trimestre estamos passando por uma virada, estamos vendo a luz no fim do túnel, e isso deve nos encher de otimismo", disse o ministro da Economia, Lucas Palacios.

Contra as previsões iniciais do governo, o saque antecipado dos fundos de pensão - permitido de forma excepcional para aliviar a crise - reativa o consumo das famílias em dificuldades chilenas. A vizinha Argentina ultrapassou a barreira de 300 mil infecções por Covid-19 na terça-feira, com 235 mortes nas últimas 24 horas, um dos maiores números desde o início da pandemia do coronavírus.

Os dados foram divulgados um dia depois de uma passeata da oposição no centro de Buenos Aires para exigir do governo o fim das medidas de isolamento social, por considerá-las uma forma de restringir a liberdade. Ainda no cone sul do continente, o Uruguai, considerado um exemplo regional na gestão da pandemia, vai reabrir suas fronteiras para a entrada de turistas da União Europeia (UE), embora ainda não tenha uma data definida.

O Uruguai mantém suas fronteiras fechadas desde março, quando detectou os primeiros casos de coronavírus. Atualmente, apenas nacionais, estrangeiros residentes ou membros de corpos diplomáticos podem entrar no país, entre outras exceções. Também permite a entrada, caso a caso, por razões humanitárias ou de trabalho.


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