Ao lado de Netanyahu, Bolsonaro visita o Muro das Lamentações

Ao lado de Netanyahu, Bolsonaro visita o Muro das Lamentações

Presidente é primeiro chefe de Estado a ir ao local acompanhado de um primeiro-ministro de Israel

Correio do Povo

Visita ocorre no segundo dia de agenda do presidente no país do Oriente Médio

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No segundo dia de sua viagem oficial a Israel, Jair Bolsonaro visitou o Muro das Lamentações, em Jerusalém, com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Com a ida ao local sagrado nesta segunda, o presidente brasileiro se torna o primeiro chefe de Estado a visitar área com um premiê israelense. Durante a visitação, usando um quipá preto, Bolsonaro colocou uma nota na fenda do Muro e realizou uma oração com as duas mãos sobre as pedras milenares. Depois, os políticos seguiram à Igreja do Santo Sepulcro.

Durante a manhã, Bolsonaro visitou a agência de combate ao terrorismo do país e condecorou os militares israelenses que participaram de missões de resgate após o colapso da barragem de Brumadinho. Ontem, Brasil e Israel firmaram cinco acordos de cooperação nas áreas de defesa, serviços aéreos, prevenção e combate ao crime organizado, ciência e tecnologia e um memorando de entendimento em segurança cibernética. Além disso, o governo anuncia escritório de negócios em Jerusalém.

Na quinta-feira passada, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, também visitou o Muro das Lamentações ao lado de Netanyahu. A iniciativa foi uma ruptura da tradição diplomática de não visitar o local: ele tornou-se o funcionário de maior hierarquia do governo americano a visitar o local de oração sagrado para os judeus. "É algo que conversei com Netanyahu há algum tempo e é nossa primeira oportunidade para irmos juntos. Acredito que é importante, acredito que é simbólico que um alto funcionário americano vá com o primeiro-ministro de Israel", afirmou na oportunidade, destacando que o local "é muito importante para várias religiões".

O Muro das Lamentações –  único vestígio do antigo templo de Jerusalém que foi mandado construir no século X a.C. por Salomão, filho do rei Davi – fica em Jerusalém Oriental, ocupada por Israel em 1967 e depois anexada. É um lugar sagrado por excelência do judaísmo, ao qual milhares de fieis peregrinam anualmente. Israel considera toda Jerusalém como sua capital. Os palestinos reivindicam a parte oriental como a capital do Estado a que aspiram. Parta da comunidade internacional vê a anexação de Jerusalém Oriental como ilegal e considera o setor como território ocupado.

Direito de reclamar 

Nesta segunda-feira, Bolsonaro afirmou que é direito dos palestinos reclamarem de sua intenção de mudar a embaixada brasileira em Israel para Jerusalém. "É direito deles reclamar", sintetizou. 

Em entrevista a jornalistas, Bolsonaro explicou que pretende fazer isso antes do fim do seu mandato, em 2022, segundo publicação de hoje do jornal Folha de São Paulo. "Tenho compromisso, mas meu mandato vai até 2022. Tem que fazer as coisas devagar, com calma, sem problemas", disse. A declaração de Bolsonaro foi dada após um almoço em um hotel de Jerusalém, um dia após o anúncio de abertura do escritório.  

Bolsonaro negou que tenha intenção de ofender qualquer representante. "O que eu quero é que seja respeitada a autonomia de Israel. Se eu fosse abrir negociações com Israel, eu colocaria a embaixada onde? Em Jerusalém. Não queremos ofender ninguém", resumiu. 

Nesse domingo, a Autoridade Palestina condenou a iniciativa do governo brasileiro e lembrou que o ato viola a legitimidade do povo da Palestina e as resoluções internacionais. Os palestinos reivindicam Jerusalém como capital, a exemplo de Israel. Enquanto o conflito não é resolvido, a maior parte dos países segue a orientação da Organização das Nações Unidas (ONU) e mantém suas representações em Tel Aviv. Apenas Estados Unidos e a Guatemala mudaram suas embaixadas para Jerusalém. 


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