Argentina faz quarta greve geral contra governo de Mauricio Macri

Argentina faz quarta greve geral contra governo de Mauricio Macri

Sindicatos convocaram trabalhadores de todos os setores para protestar contra novo acordo com FMI

Agência Brasil e EFE

Serviços públicos como transporte e hospitais não funcionarão na Argentina nesta terça

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Sindicatos da Argentina fazem greve geral contra acordo com o FMI As principais centrais sindicais da Argentina realizam nesta terça-feira a quarta greve geral contra o presidente Mauricio Macri, no mesmo dia em que ele discusará na 73ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Macri aproveitou a viagem aos Estados Unidos para assegurar aos mercados que conseguirá renegociar o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), fechado em junho, e que não há risco de o país decretar moratória da dívida externa, como em 2001.  

A greve - que paralisará transportes públicos, aeroportos e bancos - foi convocada contra as medidas de ajuste econômico, que o presidente se viu obrigado a adotar para obter uma linha de credito de 50 bilhões de dólares do FMI. Desse total, 15 bilhões de dólares já foram utilizados para conter a corrida cambial de maio. O resto seria liberado a cada três meses, sempre e quando a Argentina cumprisse as metas acordadas - e que agora estão sendo revistas. O ministro da Economia argentino, Nicolas Dujovne, prometeu zerar o déficit público no próximo ano em troca da antecipação dos desembolsos previstos para 2020 e 2021.

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O pedido de renegociação foi feito depois de a Argentina sofrer uma segunda corrida cambial em agosto, que o governo atribuiu à desconfiança dos mercados em sua capacidade de honrar seus compromissos em 2019.

Protesto

Horas antes no início da greve geral, milhares representantes de movimentos sociais, partidos de oposição e da Central de Trabalhadores da Argentina (CTA) marcharam na segunda-feira até a Praça de Maio, no centro da capital, Buenos Aires. "Amanhã (terça-feira) vamos mostrar ao mundo a foto de um país que diz não. Não ao FMI. Não ao orçamento do FMI. E não às demissões", disse o deputado e líder da CTA, Hugo Yasky, no ato de encerramento da manifestação, em frente ao palácio presidencial. Os manifestantes prometeram ocupar as ruas até convencer o governo a voltar atrás.       

O governo depende do Congresso, onde não tem maioria, para aprovar o orçamento de 2019, que prevê cortes nos gastos públicos - justamente em ano de eleição presidencial. Macri disse que é candidato a um segundo mandato e que não mudará o rumo da política econômica, apesar de estar pagando um alto preço político. Desde o início do ano, o peso argentino perdeu metade de seu valor; a inflação prevista para 2018 é de 42%; e o país está em recessão.

O governo argentino atribuiu a crise a fatores que escapam do seu controle, entre eles, a pior seca em 50 anos e a guerra comercial entre Estados Unidos e China. Mas, segundo Macri, o pior já passou e a economia deve voltar a crescer no segundo semestre. O ministro da Produção, Dante Sica, considerou a greve geral "inoportuna" e disse que o governo continuará negociando com a oposição para conseguir um consenso.

Serviços públicos fora de operação

Desde o final da tarde de segunda-feira, as seis linhas do metrô de Buenos Aires estavam completamente paralisadas, aderindo a greve e não funcionarão novamente até amanhã. Nesta terça os trens e ônibus urbanos também não funcionarão e dificilmente haverá táxis circulando pelas ruas.

Quanto aos aviões, é majoritária a adesão dos sindicatos de técnicos e pilotos; e as empresas como Aerolíneas Argentinas e Latam já anunciaram o cancelamento de seus voos domésticos, por isso sugeriram aos clientes que reprogramem suas viagens. Nos hospitais públicos do país, devem funcionar os serviços mínimos para emergências; não haverá aulas nas escolas, nem atividade nos portos e os bancos ficarão com as portas fechadas durante todo o dia.

As greves anteriores de 24 horas promovidas contra o atual governo por parte da CGT aconteceram em abril e dezembro de 2017 e no final do último mês de junho.


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