Assessores de advogado de Trump são presos por violação da lei eleitoral
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Assessores de advogado de Trump são presos por violação da lei eleitoral

Lev Parnas e Igor Fruman são acusados de ajudar a investigar o democrata Joe Biden na Ucrânia

Por
AFP

Lev Parnas e Igor Fruman também foram acusados de financiar esforços para investigar de adversários de Trump

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Dois empresários e assessores de Rudy Giuliani, advogado pessoal do presidente Donald Trump, foram presos na noite de quarta-feira após serem indiciados por violar a lei eleitoral americana. Lev Parnas e Igor Fruman também foram acusados de financiar esforços para a investigação de adversários políticos de Trump. Eles estão envolvidos no esforço de Giuliani para investigar o democrata Joe Biden na Ucrânia.

Os dois são testemunhas importantes do processo de impeachment aberto na Câmara dos Deputados. Eles foram acusados de ajudar Giuliani a investigar os negócios na Ucrânia de Hunter Biden, filho do pré-candidato democrata à presidência Joe Biden. Os dois foram presos no aeroporto internacional de Washington. Segundo uma fonte do caso, eles planejavam embarcar para Viena.

De acordo com o Wall Street Journal, Giuliani havia almoçado com os dois horas antes, no restaurante do Trump International Hotel, na capital americana. Parnas é um empresário ucraniano. Fruman, um investidor do setor imobiliário nascido na Bielo-Rússia. Ambos, segundo reportagens publicadas nesta quinta-feira, 10, pela imprensa americana, apresentaram Giuliani nos setores mais poderosos da política ucraniana e o colocaram em contato com procuradores ucranianos. Foi quando o advogado pessoal de Trump incentivou os investigadores a procurar irregularidades da família Biden na Ucrânia.

Foram as ações de Giuliani na Ucrânia que resultaram no telefonema de 25 de julho, de Trump para o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski. Na conversa, estopim para a abertura de um processo de impeachment, o americano pede a Zelenski que Biden e seu filho sejam investigados. Parnas e Fruman conspiraram para "canalizar dinheiro estrangeiro para candidatos a cargos federais e estaduais", segundo os autos de um processo federal em Nova York. Os dois fizeram contribuições ilegais usando laranjas, segundo o indiciamento. Em maio de 2018, de acordo com o processo, Parnas e Fruman doaram US$ 325 mil a um comitê de ação política pró-Trump chamado America First Action. A doação foi relatada falsamente como vinda de uma empresa de gás natural.

As prisões foram o desdobramento mais recente e dramático de uma saga política que ameaça Trump.

Impeachment

Outros dois colaboradores de Giuliani foram indiciados ontem: David Correia e Andrey Kukushkin. Correia foi preso na Califórnia e Kukushkin, que nasceu na Bielo-Rússia e tem cidadania americana, está foragido. John Dowd, advogado de Parnas e Fruman, não quis comentar as acusações. Giuliani também não respondeu ao pedido de entrevista.

No mês passado, ele minimizou a importância das investigações sobre seus assessores. "Foi uma questão de financiamento eleitoral. Indiquei a eles um advogado que deve resolver a questão", disse. Na quarta-feira, Biden se manifestou pela primeira vez a favor do processo de impeachment de Trump. Segundo ele, o presidente "traiu" os EUA e violou seu juramento.

O presidente ucraniano afirmou ontem que não sofreu nenhuma chantagem por parte de Trump, suspeito nos EUA de ter bloqueado ajuda militar para forçar Kiev a investigar o filho de Biden. "Não houve nenhuma chantagem", disse.